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domingo, março 04, 2012

Ainda sobre o morrer de frio em Portugal

Vários leitores deste blog me manifestaram o seu cepticismo quanto à atribuição do anormal excesso de mortes recentes ao custo da energia em Portugal que eu responsabilizei pelo funesto facto, recentemente e também há dois anos.
As dúvidas que me foram levantadas são de dois tipos: um é sobre a validade dos dados (estatísticas de mortalidade), e o outro é sobre as eventuais causas do facto, admitindo-o como verdadeiro.
Quanto à verdade dos factos, o excesso de mortalidade associado aos picos de frio em Portugal, existe um estudo de fundo de que o Diário de Notícias dá hoje conta: Portugal é efectivamente o país europeu onde mais de morre de frio, com um excesso sazonal de 28% relativamente à média europeia! É, aliás, facto sobejamente conhecido do senso comum minimamente viajado, o de que em Portugal se passa muito frio, mesmo comparando com países de Invernos muito mais rigorosos, e por isso nem vale a pena perder mais tempo discutindo isso.
Quanto à causa dos factos, porém, já o assunto é mais discutível.
A maioria dos media, hoje em dia mais que nunca dependentes da publicidade para subsistirem e, por via disso, das empresas que mais publicitam como a EDP (para já não mencionar a promiscuidade entre os assessores de imprensa desta empresa e os media onde foram recrutados...), argumentam que a causa principal é a falta de isolamento térmico das habitações e causas vagas como "a crise", "a pobreza", ou específicas como o custo dos medicamentos. Além da dependência económica que referi (da publicidade da EDP), a ideologia nacional-ecologista alemã (pró-Enercon) que impregna muita da nossa intelectualidade, mesmo a de direita, ajudam a explicar porque da carestia da energia nunca falam!
De resto, não sendo este problema novo, é interessante constatar que existem em Portugal estudos sobre o efeito das vagas de calor na mortalidade, mas sobre as de frio não - ou por outra, existe menção a um estudo encomendado há anos, mas de cujos resultados não há notícias...
No entanto, Portugal tem participado numa investigação da OMS sobre "habitação e saúde", um estudo mais orientado para se preocupar com as emissões de CO2 caseiras na saúde que com o frio, mas de onde resulta a constatação de que metade dos idosos portugueses não tem meios para manter as casas quentes.
Vai daí, os ecotópicos ao serviço do nacional-ecologismo alemão têm vindo a defender que o mal está na má qualidade térmica das casas, esquecendo propositadamente que a melhoria do isolamento térmico das habitações é uma coisa cara, e que é precisamente por isso que ela não existe por cá!
Melhorar o isolamento térmico das habitações é uma rúbrica integrada no tema da moda da "eficiência energética" (também ele ditado pelo nacional-ecologismo alemão que manda em Bruxelas). Requer elevados investimentos de retorno económico a longo prazo, e por isso vale a pena notar que acaba de sair um relatório de Bruxelas sobre esse tema, donde extraio o seguinte que todos os que atiram para canto com este tema deviam saber:

"It is a well-established fact that energy efficiency does not happen to the extent that “the rational economist” would predict due to well-known market barriers. These include:

An emphasis on reducing capital expenditure rather than life cycle costs

The landlord tenant or split incentives where the investment in energy efficiency by the owner materialises to the tenant of the building

Energy efficiency is rarely a single measure or activity and as such, particularly for households, can represent hassle or inconvenience (transaction costs) in trying to arrange a variety of different skilled technicians, etc.; this is often linked to concerns about the quality of workmanship from small (unknown) companies

...

For small businesses and households, the lack of personalised advice and knowledge of what exactly needs to be done in their premises or property is significant; this is often linked to uncertainty about whether the claimed energy savings will be attained

Perceived risk of energy efficiency investments by financial institutions

Owner occupiers in the residential sector do not always have the cash available to meet the costs of those energy efficiency measures (particularly some of the more expensive wall insulation solutions) and are not convinced that at commercial interest rates, they will stay in the property long enough to benefit from the ongoing savings; this is an issue because apart from double glazing, there is little evidence that most energy efficiency investments add a significant value to the property

Policy inconsistency and lack of long term commitment to energy efficiency initiatives by governments"

Sublinho a nota de que os pobres que não têm dinheiro para a electricidade, também não o têm para mandar isolar termicamente as casas!

E, se quando se vive na aldeia sempre há a solução da lenha e das lareiras e salamandras, nos subúrbios das grandes cidades onde agora vive a grande maioria da população, sobretudo nas casas mais antigas onde vivem os idosos, o único recurso é mesmo o aquecimento eléctrico ou a botija de gás - qual deles o mais caro!...
Pelo que volto à minha posição: a culpa destas mortes é da concreta e especifica carestia da electricidade resultante das políticas energéticas adoptadas desde o Governo de Guterres!

quarta-feira, fevereiro 29, 2012

A causa da recente mortalidade anormal

Há uns dias foi notícia o facto de, nas últimas semanas, terem ocorrido em Portugal um número de mortes acima do normal. O Instituto Ricardo Jorge foi a fonte e, como se pode ver pelo gráfico anexo por ele publicado, o número de mortes total em excesso terá sido da ordem das muitas centenas.

O blog Ecotretas fez um bom apanhado do que se disse sobre a questão, que mereceu a atenção do próprio Ministro da Saúde, e constatou o óbvio: o excesso de mortes deveu-se ao frio ligeiramente mais rigoroso que se verificou nas mesmas semanas!
Trata-se de algo óbvio porque é coisa que se repete todos os Invernos e que aqui comentei há 2 anos, mas que o gráfico acima mostra ter aumentado muitíssimo este ano, tal como eu profetizava nesse post!
Mas será que é mesmo o frio a causa destas mortes?
É óbvio que, num país europeu do século XXI, o frio não mata a não ser os sem-abrigo, como tem sucedido na Europa central onde, porém, faz mesmo frio, e não o fresco que por aqui se sentiu.
É óbvio que a causa da morte destes idosos é o facto de não terem dinheiro para pagar a energia de aquecimento! E muito particularmente a electricidade que temos, que em paridade de poder de compra é a mais cara da Europa!
Pelo que, em última análise, boa parte da culpa destas mortes é dos responsáveis pela política energética que conduziu a esta situação e que defendem com unhas e dentes a manutenção dos seus privilégios e rendas decretinas!
E, também por isto, é escandalosa a defesa que Jorge Vasconcelos fez recentemente numa entrevista ao Público da necessidade de subida dos preços da energia nos próximos anos! Vê-se que não faz ideia do frio que se passa em Portugal ...

quinta-feira, junho 02, 2011

Telemóveis, cancro, e Linhas de Alta Tensão: a mesma história...

Há já alguns anos que se esperava que viesse a acontecer isto: o estabelecimento de um novo terror público, com os telemóveis.
Vem isto a propósito da atribuição pela IARC (Agência Internacional para a Investigação sobre Cancro), um organismo da OMS (Organização Mundial de Saúde), ela própria uma instituição da ONU (Nações Unidas), da classificação de "possivelmente cancerígenas" às "radiações" dos telemóveis.
Há anos que diversos alarmistas, geralmente grupos que mesclam interesses económicos com ideologia pós-moderna (ignorante e céptica em ciência mas com a mania das conspirações), vinham a inventar suspeitas sobre supostos malefícios dessas "radiações", e que variados académicos se disponibilizavam pressurosos a investigar o assunto. E, como essas investigações nunca chegam a conclusão nenhuma, este é o tipo de problema ideal para um investigador profissional que esteja muito mais preocupado em garantir emprego para a vida do que em resolver algum problema à Humanidade!
Há alguns anos que se esperava que isto acontecesse porque exactamente o mesmo já sucedera com as "radiações" das Linhas de Alta Tensão, também elas classificadas, já há anos, como "possivelmente cancerígenas".
Por acaso este problema é um daqueles a que me dediquei profissionalmente nos últimos anos, tendo produzido sobre isso um relatório de cem páginas consultável no site da ERSE, e um pequeno resumo na forma de "perguntas frequentes" também lá consultável. Não vou, por isso, falar dos telemóveis, mas apenas transcrever parcialmente algumas das FAQ relativas às Linhas de Alta Tensão, para vos dar uma ideia da coisa.

    É verdade que a OMS considera os campos magnéticos como sendo cancerígenos?

Não exactamente. O que a OMS subscreve é a posição definida em 2002 pela IARC e reafirmada em 2007, segundo a qual “existe uma evidência limitada para a cancerigenidade humana dos campos magnéticos de Baixa Frequência relativamente à leucemia infantil, e que “não existe evi­dência ade­quada para a cancerigenidade humana desses campos em relação a todas as outras formas de cancro”, esclarecendo ainda que isso não se estende a campos eléctricos nem a ani­mais. A IARC mantém uma tabela de classificação de vários elementos quanto à sua cancerigeni­dade, que vai dos comprovadamente cancerígenos como o tabaco, o amianto, o álcool, o rádon, os raio-X e a luz solar (75 elementos), aos não classificáveis quanto à cancerigenidade. Depois dos comprovada­mente cancerígenos, a IARC lista em perigosidade os provavel­mente canceríge­nos (59 elementos), que incluem os fumos de escape dos motores Diesel e os PCB, e finalmente os possi­vel­mente canceríge­nos, que são muitos (225 elemen­tos). Estes, que incluem o café, os fumos de escape dos motores a gasolina e os “pick­les”, são onde se incluem também os campos magné­ticos de baixa frequência. Para a IARC um agente “possi­vel­mente cancerí­geno” é aquele cujas evi­dên­cias de cancerigenidade em seres humanos são conside­radas credíveis, mas para as quais não se exclui a possibilidade de outras expli­cações.

1.      Que evidências considera a OMS existirem para a sua posição sobre a cancerigenidade dos campos magnéticos?

As evidências existentes são duas análises de conjunto (“pooled analysis”) de muitos estudos epi­de­miológi­cos feitos nos EUA, Canadá e vários países da Europa do Norte, abrangendo mais de 100 milhões de pes­soas ao longo de várias décadas, e em que num deles se totalizaram, perto de linhas de Alta Tensão, 44 casos de leucemia infantil quando seriam de esperar, na ausência dessas linhas, de 14 a 35, e no outro, mais abrangente, 98 casos quando seriam de espe­rar de 42 a 85. Relativamente ao valor médio esperado, o primeiro estudo aponta para uma duplicação do que seria normal mas, concretamente, o que se observou “perto” de linhas de Alta Tensão, para uma enorme população e várias déca­das, foram 44 casos quando o valor esperado seria de 24 (isto de um total de 3247 leuce­mias infantis observadas naquela população e durante aqueles anos).

2.      Porque diz a OMS que ainda não há certezas sobre a cancerigenidade dos campos magné­ti­cos?

Por duas razões: a primeira é que nenhum estudo laboratorial confirmou qualquer mecanismo expli­cativo de como poderá o campo magnético à frequência das redes de energia causar altera­ções no ADN, nem isso é considerado fisicamente plausível, por esses campos induzirem efeitos no interior do corpo humano muito inferiores aos dos próprios campos naturais deste. Alguns efeitos metabólicos indirectos (radicais livres, magnetite, etc) têm sido investigados em pro­fundidade, mas os resultados ou são inconclusivos ou, quando positivos, não se têm mostrado replicá­veis.
A segunda razão é um conjunto de fraquezas dos estudos epidemiológicos realizados e que têm sido criti­cadas por vários cien­tistas de competência reconhecida pela OMS. Na realidade, estes estudos, que consis­tem em comparar o número de casos de doença verificados com o esta­tistica­mente espe­rado na ausência dos campos magnéticos, defrontam-se com duas grandes dificul­da­des: a primeira é que a leu­cemia infantil é uma doença rara (1 caso-ano por cada 30 mil crianças, em média), e a segunda é que pouca gente vive perto de linhas de Muito Alta Tensão (0.5% da população, na Europa).
A combinação destas duas rari­dades cria um número muito pequeno de leuce­mias infan­tis na vizi­nhança das linhas de Alta Tensão, o que acarreta grandes incer­tezas esta­tís­ti­cas, mesmo quando muitos estudos desses são fundidos em análises de con­junto. Na reali­dade, a pequenez relativa dos números de casos observados é tal que qualquer imperfei­ção no método de selecção de amostras produz grandes variações nas estimativas de risco relativo.

3.      O que falta saber para se ter a certeza sobre os efeitos da exposição do campo magné­tico para a saúde?

Dada a extensão e inconclusibilidade dos estudos epidemiológicos já realizados e relativos à leuce­mia infantil, alguns conceituados cientistas consideram que não vale a pena fazer mais estudos desses. Por outro lado, também já foram gastos muitos milhões de euros e dólares em estudos laboratoriais igual­mente inconclusivos. Na verdade, é muito difícil provar que um qualquer agente raro é inofen­sivo para a saúde.... Por estas razões, a própria OMS considera que o esclarecimento deste assunto passa pela compreensão é do pro­cesso de desenvolvimento da leu­cemia infantil, a qual teve recen­temente (Janeiro de 2008) um grande progresso com a identifica­ção dos genes envolvi­dos nas mutações can­cerígenas que a ini­ciam....
Presentemente pensa-se que a maioria dos casos desta doença, que em regra se manifesta antes dos 3 anos de idade, resulta de uma predisposição genética presente em cerca de 1% das crianças, pro­movida depois por uma reacção imunológica desadequada a uma infecção vulgar, como uma gripe. Um facto interessante comprovado, por exemplo, é que nas crianças expostas desde muito cedo ao ambiente de infantários com pelo menos outras 3 crianças, a taxa de leucemia infantil é metade da que se verifica nas que ficam sempre em casa, no 1º ano de vida, com mães domésti­cas; a exposição precoce a contágios infecciosos parece amadurecer saudavel­mente o sis­tema imuni­tário. A leucemia infantil é também ligeiramente mais frequente nas famí­lias de estrato social superior, o que se pensa resultar de terem ambientes mais assépticos em casa.
Há, naturalmente, outros agentes causadores da leucemia infantil, como a radioactividade e os raios-X. Quanto a estes comprovou-se que aumentam em 50% o respectivo risco quando recebi­dos pelas mães durante a gravidez. Por este motivo, aliás, se deixaram de fazer raios-X a grávi­das.

4.      Se as suspeitas sobre a cancerigenidade do campo magnético das linhas de Alta Ten­são se con­firmarem, que taxa de mortalidade daí decorre para Portugal?

Em primeiro lugar temos de considerar o número de casos de leucemia infantil observado em média em Portu­gal. Podemos usar dois processos: o primeiro é usar as estatísticas da Direcção-Geral de Saúde e dos IPO, e o segundo é extrapolar dos números espanhóis (3.4 casos por cada 100 mil meno­res de 15 anos), e também se pode combinar os dois processos. A razão da necessi­dade destes cál­culos é que infelizmente não se con­segue encontrar esse número exacto nas esta­tísticas publicadas em Portugal. O número a que se chega é de cerca de 50 por ano.
Como só 0,5% da população vive “magneticamente perto” das linhas de Alta e Muito Alta Tensão, isto con­duz ao número de uma leucemia infantil esperada, cada 4 anos, “perto” dessas linhas e sem considerar qualquer efeito por estas. Admi­tindo que, como no estudo mais pessimista em que se baseou a IARC para a sua classificação dos campos magnéticos, estes duplicam a incidên­cia da doença, então àquele caso normal tere­mos de adicionar outro, associado aos referidos cam­pos.
Outra via para estimar o referido número é admitir que será semelhante ao calculado na Suécia pelo estudo epidemiológico ali realizado em 1993, considerando que esse país tem 9 milhões de habitan­tes, o que conduz ao mesmo número de uma leucemia infantil cada 4 anos associada às linhas de Alta Tensão.
Em segundo lugar temos de considerar a taxa de mortalidade da leucemia infantil, hoje em dia uma doença com uma elevada taxa de cura nos países mais desenvolvidos como a França ou os EUA. Nes­ses países, a taxa de cura (sobrevivência ao fim de 5 anos) é presentemente de 85%....
Assim, se considerarmos o estado recente da medicina portuguesa, teríamos uma morte esperá­vel cada 12 anos (4/0,30); mas se acreditarmos que ela vai melhorar no sentido da francesa tería­mos uma morte espe­rável cada 25 anos (4/0,15)…!
Para se ter uma ideia destes valores, vale a pena notar que o número anual de mortes de crianças (com menos de 15 anos), por acidente, em Portugal, é de cerca de 100, dos quais 40 em acidentes de via­ção, e que o número de mor­tes por aciden­tes de trabalho com electricidade tem sido de 12.
Quando iniciei este estudo, em 2007, havia um alarme generalizado relativamente aos altíssimos custos que poderia comportar o enterramento das linhas de Alta Tensão. Hoje parece que cresce a opinião na REN e até em parte da EDP de que, se a ERSE permitir que esses custos sejam passados para as tarifas dos consumidores, até será bom...

quarta-feira, junho 01, 2011

Os biólogos de Chernobyl e o novo emprego dos engenheiros nucleares alemães

Após o post que escrevi ontem sobre o destino da população de Pripyat, algumas questões de leitores levaram-me a uma busca mais detalhada sobre as investigações levadas a efeito na zona de exclusão de Chernobyl (um círculo com 30 km de raio) por biólogos internacionais.
Existe um estudioso ucraniano lá, o Dr. Sergej Gashak, que colaborou com várias equipas internacionais de cientistas, uma delas de cientistas da Universidade do Texas que publicaram vários trabalhos de invulgar rigor, como este aqui.
Outro paper deles de rara honestidade intelectual, publicado em 2007, adquiriu grande notoriedade e merece especialmente ser lido: Growing up with Chernobyl.
Estes investigadores tinham sido responsáveis pela atribuição de certas variações genéticas em animais de Chernobyl a mutações causadas pela radioactividade, publicada na Nature em 1996, e vieram mais tarde a concluir que se haviam enganado e que essas mutações não existiam, coisa que narram neste paper e de que se retrataram com rara honestidade intelectual na própria Nature em Novembro de 1997.
Basicamente, os trabalhos deles apontam para a conclusão de que, efectivamente, baixas doses de radiação prolongada são pouco absorvidas e não causam danos patológicos visíveis na fauna, embora causem efeitos detectáveis no ADN mitocondrial.
Após a redução da radioactividade inicial que "pintou de vermelho" a floresta da zona, a vida tem florescido saudável em Chernobyl e o sarcófago do malfadado reactor está agora cheio de ninhos de pássaros (na figura, fotos da fauna actual de Chernobyl).

Alguns outros biólogos que andaram por Chernobyl tiraram conclusões diferentes, como uns que concluíram por uma redução do tamanho da cabeça de certos pássaros em 5%, que atribuíram a uma mutação radioactiva. Mas os texanos questionam os métodos deles, e Dr. Gashak, que os ajudou no terreno e viu o seu nome incluído nos papers deles sem sua autorização, contesta essas medições de cabeças e o rigor com que foram feitas.
Entretanto, como se sabe, a Alemanha anunciou que os seus reactores nucleares serão definitivamente fechados em 2022. Apesar disto ser uma medida reversível e sem efeitos práticos imediatos, o Secretário Geral da Agência Atómica chinesa, Xu Yuming, apressou-se de imediato a oferecer emprego aos engenheiros e cientistas nucleares alemães: ‘We invite the German specialists to research for us in China and to work. The German nuclear plants are among the best in the world, the engineers and scientists have a great reputation’.
O vento sopra do Oriente e a "Europa" que se cuide!

terça-feira, maio 31, 2011

O destino da população de Pripyat

O canal Odisseia passou no domingo de 29 de Maio um programa intitulado "Grandes Desastres" ecológicos que incluiu uma referência ao acidente nuclear de Chernobyl em 1986.
Já o documentário ia avançado quando comutei para o canal, a tempo de ver contar como a população de Pripyat, a cidade de 50 mil habitantes apenas a 3 km da Central nuclear, fora toda metida em autocarros "com as mãos nos bolsos" e tirada da cidade sem mais explicações, no dia seguinte ao do rebentamento do reactor. E o narrador explicava: "... milhares deles morreriam nos meses seguintes devido à radioactividade recebida".
As mentiras que se contam sobre os mortos causados pela radiação do acidente de Chernobyl são comparáveis, na História Contemporânea, às mentiras dos nazis sobre os judeus ou às dos maoístas sobre o sucesso do "grande salto em frente" nos anos 50 na China! Na verdade, nem sei como ainda não se lembraram de descobrir que os pepinos mortais que invadiram a Alemanha foram secretamente contrabandeados de Fukushima...:-))

É verdade que Pripyat foi toda evacuada e se transformou numa cidade fantasma, até hoje. E é verdade que a população deslocada sofreu duramente com essa deslocação, agravada com o desabamento das estruturas sociais e económicas que se seguiu ao fim do comunismo na Ucrânia, poucos anos depois, e que todos verificámos quando os seus imigrantes cá chegaram em massa! Mas o que não é verdade é que tenha sofrido "milhares" de mortes devido à radioactividade recebida de Chernobyl!!!
Pripyat foi severamente irradiada nas horas subsequentes ao rebentamento do reactor e início do respectivo incêndio. A figura ao lado, retirada deste relatório da OMS (Organização Mundial de Saúde) feito um ano depois, mostra como evoluiu ali a radioactividade na atmosfera a 1 metro de altura do solo (radiação gama, capaz de atravessar a pele) nessas horas (10 ao cubo mR/h equivalem a 10 mSv/h). Na altura estimou-se que a máxima radiação absorvida poderia ter atingido 0,1 Gy (~0,1 Sv para ) mas, mais tarde, tendo em conta o facto das pessoas não terem passado o tempo todo na rua mas estarem maioritariamente dentro de edifícios, essa estimativa foi corrigida para de 1/2 a 1/5 das previsões iniciais.
Como já divulguei aqui, abaixo de 100 mS de exposição à radioactividade não há provas de efeitos nocivos da mesma, aparte o efeito do radioIodine absorvido por crianças e que, por o organismo destas assimilar o iodo todo e o concentrar na tiróide, sobretudo se tiverem deficiência dele, aumenta 10 a 20 vezes o risco do raro cancro infantil nesse orgão (efectivamente verificado na região, embora com uma taxa de mortalidade muito baixa, inferior a 1%).
Mas que aconteceu então depois à população de Pripyat e dos arredores de Chernobyl, de que 70% se vieram a alojar em Kiev, a capital da Ucrânia?
De entre os muitos estudos que vieram a ser feitos sobre o assunto, vale a pena mencionar este, realizado pelos cientistas da Academia de Medicina da Ucrânia, 15 anos depois. O estudo detectou, efectivamente, um aumento do já mencionado cancro infantil da tiróide, e um aparente pequeno aumento do cancro da mama em mulheres mas, globalmente, o que constata para as regiões que mais radioactividade apanharam foi... uma redução global da taxa de cancro! O gráfico e a tabela anexos mostram-no.


Vale a pena notar que tal paradoxal redução da taxa global de cancro (relativamente à demais população) também foi encontrada nos sobreviventes das bombas de Hiroshima e Nagasaki, e poderá parcialmente explicar-se pela relativamente maior atenção médica de que estas populações gozaram depois da exposição, ao longo da vida.
Porém, os estudos epidemiológicos deste tipo são muito difíceis, por razões que vou tentar explicar sumariamente em termos simples: a sua ideia base é a de comparar o número de cancros ocorridos nas pessoas sujeitas a determinado agente suspeito (neste caso, radioactividade) com o que seria de esperar "normalmente", e ver se há um acréscimo estatisticamente significativo (as conclusões estatísticas só são fortes para grandes números).
O problema, porém, é que há imensos outros factores que também mudam a susceptibilidade das pessoas e populações ao cancro, e por isso não é simples a tal comparação com o que seria "normal" esperar. Por exemplo, os japoneses têm, para o mesmo grau de tabagismo, quase 10 vezes menos cancros de pulmão que os americanos e europeus, mas em contrapartida têm quase 12 vezes mais cancros de esófago e estômago por razões mal-conhecidas! Os negros têm muito mais cancro da próstata que os brancos, e depois há os factores ambientais, os "confundidores". Um exemplo clássico foi o estudo que, décadas atrás, "descobriu" que o café provocava cancro do pulmão, até se verificar que havia uma grande correlação entre o consumo de café e o de tabaco!
E há os factores "confundidores" que se desconhecem e que, em certas regiões e épocas, aumentam muito a incidência de certos cancros (como por exemplo a leucemia infantil, que tende a ocorrer em "clusters" regionais e temporais por causas desconhecidas).
Por estas razões, um bom estudo epidemiológico sobre o efeito da radioactividade (ou qualquer outro agente) sobre a incidência de cancro não deverá comparar simplesmente a taxa de cancros das pessoas expostas ao agente suspeito com a "média geral", mas sim com a média dos que, estando exactamente nas mesmas condições relativamente a possíveis factores confundidores (tipo populacional genético, modo de vida, ambiente, etc), só difiram no facto de não terem sido expostos ao tal "agente suspeito". E é ainda importante que o número desses outros seja grande, para que os seus valores médios possam efectivamente ser considerados como termo de comparação estatisticamente significativo, um padrão de "normalidade"!
A somar a estas dificuldades, há a dificuldade de determinação da dose real de agente suspeito a que foram expostos os investigados. Pode-se ter estado em Pripyat e ter bebido acidentalmente um copo com água contaminada, ou não...
Outro aspecto relevante são os números absolutos, para além dos adicionais estimados. Por exemplo e relativamente ao cancro da mama recenseado no estudo da Academia Médica ucraniana acima citado, regista-se um aumento médio de 50%, mas o número real de casos adicionais estimados é de 87 num total de 90 mil mulheres seguidas ao longo de 7 anos, o que deve ser apreciado, como nota o próprio estudo, com o facto de ser verificado uma grande variedade de "clusters" de casos tanto regional como temporalmente.
Tudo isto torna estes estudos difíceis de pôr em prática e também os susceptibiliza a todo o tipo de erros de método, involuntários ou propositados! Sobretudo quando a diferença entre o "normal" e o "suspeito" é pequena em termos relativos, como acontece precisamente para doses de exposição à radioactividade inferiores a 100 mSv!
Isto tem levado a que seja quase consensual na OMS e outras instituições especializadas, no presente, a impossibilidade de demonstração epidemiológica de aumentos da incidência de cancro para exposições radioactivas inferiores a 100 mSv (e para esta "dose" o risco adicional de cancro admitido pela LNT- ver abaixo - é de 0,5%), como disse - apesar de haver cientistas que continuam a tentar tais demonstrações, a que poderá não ser alheio o facto de terem na subsidiação desses estudos o seu modo de vida (como Elisabeth Cardis, quiçá a epidemiologista que mais tem publicado sobre o assunto e graças ao qual conseguiu o lugar que detém na Comissão Europeia, onde dirigiu um estudo similar sobre o efeito dos telemóveis sobre o cancro cerebral, que custou 17 milhões de € e que chegou a conclusão... nenhuma). Cardis, por exemplo, é autora de um dos estudos mais recentes sobre o efeito de Chernobyl, que pode ser consultado aqui: como de costume, conclui que os dados existentes são insuficientes, que no entanto parecem confirmar o alarme existente, e que por isso... são precisos mais estudos!
Conheço outros meandros onde se passa a mesma coisa, como nos alegados efeitos das linhas de Alta Tensão sobre a leucemia infantil...
Mas pode-se questionar: e não haverá outra maneira, sem ser pela epidemiologia, de se saber se sim ou não, baixas doses de radioactividade provocam cancro? Por exemplo, pela biologia molecular, pelo estudo experimental?
Ora esta é uma das questões mais curiosas sobre o assunto, porque, ao contrário do que se possa pensar, há neste outro domínio científico duas posições contraditórias, ambas suportadas em resultados experimentais e em boas conjecturas.
A primeira posição argumenta que, sendo ionizante, a radioactividade tem sempre capacidade de alterar o ADN, e portanto de provocar mutações cancerígenas. Quanta mais, maior a probabilidade, e daí o estabelecimento de uma relação linear sem limiar mínimo (LNT - Linear with No Threshold) para o risco de cancro causado pela radioactividade. Nesta óptica, a própria radioctividade natural ambiente causará alguns cancros, de facto 1% de todos os cancros, e é uma óptica prudente que fundamenta as práticas e limiares de protecção internacionais. Sublinhe-se, porém, que se trata apenas de uma conjectura!
De facto, a segunda posição assume a existência de um limiar mínimo para a perigosidade e não parece menos sensata: argumenta ela que os organismos têm, pela própria natureza da vida, permanentemente em luta contra todo o tipo de agressões (a começar pelos vírus...), mecanismos de adaptação e reparação dessas agressões a que são sujeitos e que, por isso, uma agressão ligeira não só não tem efeitos que o organismo não repare, como até lhe estimula a imunidade.
É a teoria que é aplicada nas vacinas e em muitas práticas médicas, do aconselhamento do exercício físico (moderado) à reabilitação do vinho bebido em doses moderadas. E também esta teoria tem fundamento experimental a nível celular, e é considerada pela Academia das Ciências francesa como aplicável à exposição à radioactividade.
No estado actual da Ciência não há consenso sobre qual das teorias é verdadeira mas, pelo sim, pelo não, as instituições internacionais responsáveis adoptam a primeira (LNT), como medida de precaução. O que parece sensato.
O que não se pode é, daí, usar essa teoria como estando confirmada cientificamente e extrapolar números de mortos por radioactividade que é impossível confirmar!

E à margem desta discussão: sabem que aconteceu às regiões de Chernobyl que foram desocupadas de presença humana, ao longo destas décadas? Paisagem lunar, não?
Pois não: transformaram-se em selva primitiva, verdadeiro paraíso ecológico para flora e fauna, livres que ficaram da presença humana! Abundam os cavalos selvagens mongóis antes quase extintos (foto anexa da National Geographic) e até o considerado extinto lince europeu agora lá se encontra...

segunda-feira, maio 30, 2011

Os danos para a saúde dos motores Diesel e as alternativas

Um dos paradoxos mais curiosos do terrorismo mediático é que, ao mesmo tempo que distorce desavergonhadamente as notícias sobre a radioactividade resultante de acidentes em centrais nucleares, guarda um silêncio de oiro sobre agentes que quotidianamente envenenam o ar que respiramos, como... os gases de escape dos motores Diesel que percorrem as nossas cidades!
Graças ao maior rendimento destes motores e à política fiscal europeia de penalização da gasolina relativamente ao gasóleo, os motores Diesel equipam já mais de 80% dos automóveis que se vendem na Europa, e em Portugal nomeadamente.
Nada tenho contra a eficiência dos motores Diesel nem contra esta preferência do mercado (embora pessoalmente o ruído dos automóveis a Diesel me seja muito desagradável), mas penso ser útil saber-se que os gases de escape desses motores consta na lista 2A dos prováveis agentes cancerígeneos definida pela IARC (Agência Internacional para a Investigação do Cancro), um organismo reconhecido pela OMS e pelas Nações Unidas. Alguns dos constituintes desses gases de escape, como o arsénio e o benzeno, são comprovadamente cancerígeneos.
Porém, a patologia mais importante atribuível aos gases de escape dos Diesel é o enfarte de miocárdio, de que estudos epidemiológicos em grande escala recentemente publicados lhe atribuem a responsabilidade por uma quota de 7.4%, superior às do esforço físico, alcool ou café. Um estudo de 2001 da Agência Ambiental Federal Alemã atribui aos escapes dos Diesel a responsabilidade por mais de 14 mil mortes naquele país, apenas em 2001!
Apesar do seu principal efeito ser aumentar os riscos cardíacos, os escapes dos Diesel são também responsabilizados por um acréscimo de 20 a 50% de risco de cancro pulmonar em profissões expostas aos escapes (motoristas profissionais) pelo menos tanto como o acréscimo de 30% provocado pelo fumo passivo (em cônjugues de fumadores)!
O paradoxo nisto é que enquanto o fumo passivo tem vindo a ser proibido em todo o lado (em Nova Iorque decidiu-se recentemente a proibição de fumar nas ruas), não se tem notado a menor preocupação com o efeito bem mais grave da inalação dos gases de escape dos Diesel!
Mas trago-vos uma boa notícia: até agora, todos os indícios apontam para que os malefícios para a saúde dos gases de escape dos motores Diesel a gasóleo são drasticamente reduzidos quando o gasóleo mineral é substituído por bioDiesel!
Ora a União Europeia manda na sua Directiva "20-20-20" que até 2020 10% de todo o combustível usado nos transportes rodoviários seja "bio" e isso, além da redução da dependência de petróleo islâmico, é bom para a saúde. E melhor ainda será outro futuro incontornável: a substituição do transporte rodoviário a longa distância de mercadorias em camiões Diesel por transporte eléctrico... ferroviário!

sábado, abril 02, 2011

O risco de estar vivo - Fukushima "update"

Estar vivo é uma actividade cujo risco acumulado é sempre fatal!
Posto isto, a singularidade humana consiste em enfrentar permanentemente e desde sempre esse risco ganhando controlo sobre as ameaças. "Transformando o mundo em função das suas necessidades", dirão os marxistas, chamando a isso "trabalho" e que consideram a essência da natureza humana. "À imagem de Deus", dirão os crentes nas religiões dos livros.
Como indivíduos, luta-se contra o risco "fazendo pela vida". Mas além de indivíduos somos elementos sociais, inseridos em organismos, e por isso também lutamos contra os riscos que ameaçam o grupo. Não somos aliás únicos nisso - qualquer vertebrado defende as suas crias...
No caso humano, porém, esta luta pela imortalidade (ou contra a morte, como queiram) levou à criação das civilizações. E, embora a maioria delas tenha perecido pelo caminho, há legados que se têm vindo a passar num crescendo de imunidade à morte.
Tudo começou quando deixámos o corno de África há uns cem mil anos. Hoje tentamos compreender e dominar o ADN, e mandamos sondas fotografar de perto planetas distantes. Já sabemos que também há planetas fora do sistema solar, e não paramos. Parar é morrer. Individual e colectivamente. É o super-vulcão de Yellowstone que pode irromper. Um asteróide perdido que nos pode extinguir. Um novo vírus, com letalidade e tempo de incubação entre o HIV e o Ébola, que pode surgir de alguma mutação aleatória. E, mesmo que nenhuma dessas más surpresas ocorra, hão-de haver novas épocas glaciares e novos estios gerais, e por fim o Sol há-de esmorecer. Quem julga que o Universo é pacífico e o stress uma alienação, que veja os filmes e as fotos das luas de Júpiter!...
Há, porém, uma ideologia persistente que acredita que os bons tempos eram aqueles em que, de geração em geração, se vivia na natureza, em "harmonia" com ela. O mais parecido com isso que houve, porém, foi a Idade Média, onde um dia apareceu a peste negra e matou 1/3 da população europeia. Para já não mencionar o desaparecimento geral da megafauna do planeta com a proliferação da nossa espécie, no fim da última glaciação, muito antes sequer da História, quanto mais da sociedade industrial que os ecotópicos culpam pelo suposto "desequilíbrio" com a Natureza...
Contra essa utopia ecológica, relativamente à qual partilho muito do que pensa o meu guru ideológico de há 40 anos, a Humanidade tem vindo sempre a querer mais. O que não admira, enquanto formos mortais. E estaremos sempre em risco enquanto não dominarmos a biologia e, em última análise, a galáxia, e mesmo aí...
É evidente que, no presente, o maior risco para o Homem é o próprio Homem. Com esse risco não sabemos bem como lidar: parece haver agora um consenso de que o melhor é permitir a liberdade de cada forma de expressão humana, o paradigma do "equilíbrio dos ecossistemas, da harmonia na diversidade interactiva". Filosoficamente não estou certo que isto se mantenha, mas pelo menos somos mais felizes que no paradigma ecológico que esteve na moda até ao esmagamento do nazismo, o da "lei da selva" em que "vencem os mais fortes"...! Mas não tenho qualquer dúvida que só muito recentemente e ao atingirmos o presente  estádio de civilização é que começámos a cuidar da preservação da Natureza e a respeitar as diferenças mesmo entre nós, humanos!
O certo é que enquanto não pudermos viajar pelo espaço inter-planetário e um dia pelo inter-estelar, como espécie estaremos em risco mortal. E, para isso, precisaremos de energia. Nem fóssil, nem renovável. Apenas com energia nuclear será possível viver "out there"!...
Portanto, aprendamos com Fukushima e sigamos em frente!

As últimas notícias sobre a situação na central nuclear de Fukushima-Daiichi são boas, por mais que o terrorismo eco-fascista o tente ensurdecedoramente iludir. Podem ser consultados resumos "certificados" aqui, no site do MIT. Desde o meu último post sobre isto, a situação estabilizou:
  • dentro dos reactores, a água está agora líquida, cobrindo as varas de urânio, e as piscinas de resíduos mantêm-se cheias de água, graças aos carros especiais japoneses e aos a chegar de outros países;
  •  Foi detectada água contaminada nas caleiras e caves dos edifícios dos reactores, alguma dela altamente radioactiva(1000 mSv/h!), a do reactor nº 2 cujo toro de refrigeração deverá ter sido fendido pela explosão de hidrogénio quando da sua ventilação, o que dificulta a aproximação dos trabalhadores (em Chernobyl foram lá mesmo assim e 28 morreram, mas estamos noutra galáxia, apesar das porcas mentiras que se propalam sobre isto). A água está a ser bombeada a bom ritmo para reservatórios mas, pela 1h30 de hoje em Lisboa detectaram uma racha de 20 cm na trincheira do reactor nº 2, de onde estaria a correr água para o mar - estando em curso o enchimento com cimento dessa racha (talvez com os robôs que já lá estão a realizar a melhor tarefa para que se pode desejar um robô...)! A água destas trincheiras, porém, proveio não dos reactores mas sim do tsunami, embora tenha efectivamente sido depois contaminada.
  • Houve 20 trabalhadores que receberam doses de radioactividade superiores a 100 mSv; o limite legal no Japão, nestas condições de trabalho, é de 250 mSv. Há porém, um trabalhador que se feriu numa queda ao mar quando ajudava na atracagem de um navio-tanque americano e outro que sofreu uma entaladela, além dos 3 que se queimaram nos pés quando entraram pela primeira vez no edifício do reactor e, às escuras, não notaram que havia água (radioactiva!) no chão e não ligaram aos avisos dos monitores individuais que todos transportam...
  • Claro que há radioactividade na água do mar perto da central, resultante quer das ventilações ocorridas nos primeiros dias, com as infelizes explosões do hidrogénio presente no vapor ventilado juntamente com resíduos radioactivos, quer da provável fissura existente no toro de arrefecimento de um dos reactores (resultante de uma dessas explosões do hidrogénio) e que contaminou a água de refrigeração que escorreu para as trincheiras exteriores ainda alagadas pelo tsunami! Os mais recentes registos estão aqui, mas é evidente que a radioactividade no mar não tem importância: as correntes e a diluição natural em pouco tempo reduzirão a concentração dos resíduos a valores inócuos - se não fosse assim, teria havido graves consequências dos testes que em tempos se fizeram com dezenas de bombas nucleares explodidas no mar!!! Neste momento, as concentrações de Iodo-131 são à volta de10 Bq/litro, e as de Césio-134 de menos de 1 -4 Bq/l; as doses máximas recomendadas para alimentação infaltil pelo Euratom são de 150 Bq/l para o Iodo-131 e 400 Bq/l para o Césio e outros, embora o Japão seja ainda mais exigente e estabeleça 100 Bq/litro como limite de Iodo-131 para crianças...
  • A água já se pode beber em todo o Japão, isto é, a sua concentração de Iodo-131 e outros resíduos menos graves desceu abaixo dos limites ultra-seguros estabelecidos pela OMS, excepto em 4 localidades próximas da Central;
  • De 113 locais em que foi monitorizado o nível de radioactividade no solo e produtos alimentares agrícolas, também em 4 foram detectados níveis de Iodo-131 e Césio superiores aos limites legais. Entretanto, e dada a estabilização da situação, o Governo japonês começou no passado dia 30 a estudar as condições de regresso das populações deslocadas.
  • De um modo geral e para quem se quiser manter actualizado, recomendo a consulta deste site oficial. Para quem queira uma excelente descrição gráfica do que sucedeu, sugiro isto.
Entretanto, e embora já tenha notado que tudo isto aconteceu na central nuclear mais antiga do Japão, entre 17 que o país tem e que sofreram como esta o terramoto de grau 9 que o assolou, e que toda a situação foi agravada pela impossibilidade de ajuda imediata do exterior devida à destruição geral causada pelo tsunami - fora da central mas também nos acessos aos edifícios dos reactores - vale a pena considerar algumas das coisas ali sucedidas que não aconteceriam numa central moderna de 3ª geração e que o Japão também tem, desde 1996.
Para começar, haverá que evitar que os sistemas de reserva de energia possam ser sim­plesmente eliminados por um maremoto ou algo equivalente como em Fukushima-Daiichi. Nas nucleares de geração III europeias (EPR) existem quatro sistemas de gera­dores Diesel redundantes e separados, dois dos quais estão colocados em casama­tas à prova de água, dos quais basta um único sistema para manter o núcleo do reactor em temperaturas seguras após a desligação da central. Se esta for construída perto da costa, os Diesel poderão ser colocados do lado mais afastado do mar, usando os edifí­cios da central como barreira adicional para condições de tempo extremas, ou mare­motos.
Nas nucleares de geração III americanas (AP 1000) todos os sistemas de energia de reserva estão protegidos dentro do edifício blindado e dentro do seu contentor inte­rior, e portanto não estão em risco face mesmo às mais extremas condições naturais anóma­las. Além disso os sistemas de segurança passiva destas centrais não requerem ali­mentação, visto serem projectados para simplesmente permitirem que caia água no núcleo por efeito da gravidade e que circule depois apenas por convecção natural.
Mesmo que todos estes sistemas falhem e ocorra fusão do núcleo do reactor, as conse­quências radiológicas externas não seriam nestas centrais sequer como as relativamente menores verificadas em Fukushima. Em primeiro lugar, ambos estes tipos de centrais têm sistemas de mitigação do hidrogénio, portanto sem possibilidade do tipo de explosões ali verificadas. Por outro lado, a EPR dispõe de um contentor duplo e de uma cova de espalhamento do córium (nada pode sair dele), enquanto o contentor de aço da AP 1000 pode ser indefinidamente arrefecido do exterior.

Entretanto, uma provável e inesperada lição a tirar é a vulnerabili­dade das piscinas de arrefecimento dos resíduos a faltas prolongadas de energia. Embora possam levar semanas a atingir a temperatura de ebulição, Fukushima demonstra que essa possibilidade existe, o que recomenda que a quantidade de resí­duos ali mantida seja minimizada, de modo a limitar o calor que geram. Isso, por sua vez, conduzirá provavelmente à recomendação de que os referidos resíduos sejam sempre, tão cedo quanto a sua temperatura o permita, processados e transferidos para cascos secos, sem necessidade de água com circulação forçada.

Energia nuclear? Contra isto aqui é que há que ser contra! E uma boa forma é "queimar" o urânio e o plutónio dessas bombas em reactores!

quinta-feira, março 17, 2011

Radioactividade em Fukushima - 16 de Março

Dadas as atoardas sem a menor vergonha que alguns têm propalado sobre a radioactividade emitida até agora por Fukushima, transcrevo aqui um gráfico elaborado pela equipa de Engenharia Nuclear do MIT há algumas horas:

E alguns números típicos, constantes do mesmo post, tomando por unidade de radiação o milisievert (mSv):
  • Dose letal (para 50% das pessoas) - 2500 a 5000;
  • Dose causadora de patologia aguda - 500 a 2500;
  • Dose capaz de a longo prazo causar envelhecimento precoce ou cancro - 100 a 500;
  • Dose abaixo da qual não há dados que confirmem patologias - 50.
  • Dose normal no ambiente quotidiano - 5.
Ora como o gráfico acima mostra, até ontem (quarta-feira) os níveis máximos registados, e por curtos períodos, na periferia da Central, foram de 11. Não é bom, mas ainda não tem nada a ver com Chernobyl ou o apocalipse!
Entretanto, o lançamento de água por helicóptero e carros de bombeiros na piscina de arrefecimento dos resíduos dos reactores nº 3 e 4, piscinas cuja secagem é o maior perigo que de momento a situação encerra, terá tido êxito. A montagem da linha de energia auxiliar para alimentação das bombas hidráulicas também (toda a rede eléctrica da central e arredores foi devastada pelo terramoto e pelo tsunami subsequente). E um dos Diesel de emergência já está a trabalhar. De um modo geral, a situação está cada vez melhor controlada, como as últimas notícias de há minutos atrás indicam. O heroísmo e competência dos trabalhadores japoneses nas instalações e a ajuda dos que em todo o Mundo lhes desejam os maiores sucessos, conseguirão a vitória nesta tremenda batalha!
E, já agora, para quem queira ver uma história sobre uma emergência nuclear, recomendo o aluguer na Zon ou a compra na Fnac do excelente filme de Kathryn Bigelou (a ganhadora do Óscar de melhor realizadora em 2010), K-19 - the widowmaker.

quarta-feira, março 16, 2011

Crónica de Engenheiro sobre o desastre de Fukushima I - 15 Março 2011

Já fiz aqui a minha auto-crítica por me ter precipitado na avaliação do modo como as centrais nucleares japonesas teriam resistido aos efeitos do terramoto com tsunami que afectou aquele país, bem como por ter subestimado o próprio efeito desse cataclismo.
A situação está longe de estar sob controlo mas, entretanto, os ecotópicos europeus, com realce entre nós para o jornal "O Público", têm aproveitado a situação para lançarem freneticamente as mais mistificadoras campanhas alarmistas e mentirosas, falando em "apocalipse" e insinuando que se têm estado a verificar explosões nucleares na central de Fukushima I, a mais afectada das 50 existentes no Japão.
Acontece já ser possível encontrar informação objectiva, científica e rigorosa sobre o que se tem estado a passar, sendo de realçar o site do MIT que mantém actualizada informação fresca e pedagógica sobre o assunto, validada pelos profundos conhecimentos dos melhores especialistas americanos.
Vou, por isso, fazer uma transcrição da informação disponível e relevante sobre o ocorrido até ao momento.
O texto que se segue é da autoria de um eng.º nuclear americano reformado, redigido a pedido da filha (uma estudante de doutoramento do MIT), e foi depois adoptado pelo próprio MIT no seu site, como elemento pedagógico.
  • As centrais nucleares de Fukushima
The plants at Fukushima are Boiling Water Reactors (BWR for short). A BWR produces electricity by boiling water, and spinning a turbine with that steam. The nuclear fuel heats water, the water boils and creates steam, the steam then drives turbines that create the electricity, and the steam is then cooled and condensed back to water, and the water returns to be heated by the nuclear fuel. The reactor operates at about 285 °C.
The nuclear fuel is uranium oxide. Uranium oxide is a ceramic with a very high melting point of about 2800 °C. The fuel is manufactured in pellets (cylinders that are about 1 cm tall and 1 com in diameter). These pellets are then put into a long tube made of Zircaloy (an alloy of zirconium) with a failure temperature of 1200 °C (caused by the auto-catalytic oxidation of water), and sealed tight. This tube is called a fuel rod. These fuel rods are then put together to form assemblies, of which several hundred make up the reactor core.
The solid fuel pellet (a ceramic oxide matrix) is the first barrier that retains many of the radioactive fission products produced by the fission process. The Zircaloy casing is the second barrier to release that separates the radioactive fuel from the rest of the reactor.
The core is then placed in the pressure vessel. The pressure vessel is a thick steel vessel that operates at a pressure of about 7 MPa (~70 atmosferas), and is designed to withstand the high pressures that may occur during an accident. The pressure vessel is the third barrier to radioactive material release.

The entire primary loop of the nuclear reactor – the pressure vessel, pipes, and pumps that contain the coolant (water) – are housed in the containment structure. This structure is the fourth barrier to radioactive material release. The containment structure is a hermetically (air tight) sealed, very thick structure made of steel and concrete. This structure is designed, built and tested for one single purpose: To contain, indefinitely, a complete core meltdown. To aid in this purpose, a large, thick concrete structure is poured around the containment structure and is referred to as the secondary containment.
Both the main containment structure and the secondary containment structure are housed in the reactor building. The reactor building is an outer shell that is supposed to keep the weather out, but nothing in (this is the part that was damaged in the explosions, but more to that later).
  • Fundamentos sobre a reacção nuclear
The uranium fuel generates heat by neutron-induced nuclear fission. Uranium atoms are split into lighter atoms (aka fission products). This process generates heat and more neutrons (one of the particles that forms an atom). When one of these neutrons hits another uranium atom, that atom can split, generating more neutrons and so on. That is called the nuclear chain reaction. During normal, full-power operation, the neutron population in a core is stable (remains the same) and the reactor is in a critical state.
It is worth mentioning at this point that the nuclear fuel in a reactor can never cause a nuclear explosion like a nuclear bomb. At Chernobyl, the explosion was caused by excessive pressure buildup, hydrogen explosion and rupture of all structures, propelling molten core material into the environment.  Note that Chernobyl did not have a containment structure as a barrier to the environment. Why that did not and will not happen in Japan, is discussed further below.
In order to control the nuclear chain reaction, the reactor operators use control rods. The control rods are made of boron which absorbs neutrons. During normal operation in a BWR, the control rods are used to maintain the chain reaction at a critical state. The control rods are also used to shut the reactor down from 100% power to about 7% power (residual or decay heat).
The residual heat is caused from the radioactive decay of fission products. Radioactive decay is the process by which the fission products  stabilize themselves by emitting energy in the form of small particles (alpha, beta, gamma, neutron, etc.). There is a multitude of fission products that are produced in a reactor, including cesium and iodine. This residual heat decreases over time after the reactor is shutdown, and must be removed by cooling systems to prevent the fuel rod from overheating and failing as a barrier to radioactive release. Maintaining enough cooling to remove the decay heat in the reactor is the main challenge in the affected reactors in Japan right now.
It is important to note that many of these fission products decay (produce heat) extremely quickly, and become harmless by the time you spell “R-A-D-I-O-N-U-C-L-I-D-E.” Others decay more slowly, like some cesium, iodine, strontium, and argon.
  • O que aconteceu em Fukushima em 11 de Março
The following is a summary of the main facts. The earthquake that hit Japan was several times more powerful than the worst earthquake the nuclear power plant was built for (the Richter scale works logarithmically; for example the difference between an 8.2 and the 8.9 that happened is 5 times, not 0.7).
When the earthquake hit, the nuclear reactors all automatically shutdown. Within seconds after the earthquake started, the control rods had been inserted into the core and the nuclear chain reaction stopped. At this point, the cooling system has to carry away the residual heat, about 7% of the full power heat load under normal operating conditions.
The earthquake destroyed the external power supply of the nuclear reactor. This is a challenging accident for a nuclear power plant, and is referred to as a “loss of offsite power.” The reactor and its backup systems are designed to handle this type of accident by including backup power systems to keep the coolant pumps working. Furthermore, since the power plant had been shut down, it cannot produce any electricity by itself.
For the first hour, the first set of multiple emergency diesel power generators started and provided the electricity that was needed. However, when the tsunami arrived (a very rare and larger than anticipated tsunami) it flooded the diesel generators, causing them to fail.
One of the fundamental tenets of nuclear power plant design is “Defense in Depth.” This approach leads engineers to design a plant that can withstand severe catastrophes, even when several systems fail. A large tsunami that disables all the diesel generators at once is such a scenario, but the tsunami of March 11th was beyond all expectations. To mitigate such an event, engineers designed an extra line of defense by putting everything into the containment structure (see above), that is designed to contain everything inside the structure.
When the diesel generators failed after the tsunami, the reactor operators switched to emergency battery power. The batteries were designed as one of the backup systems to provide power for cooling the core for 8 hours. And they did.
After 8 hours, the batteries ran out, and the residual heat could not be carried away any more. At this point the plant operators begin to follow emergency procedures that are in place for a “loss of cooling event.” These are procedural steps following the “Depth in Defense” approach. All of this, however shocking it seems to us, is part of the day-to-day training you go through as an operator.
At this time people started talking about the possibility of core meltdown, because if cooling cannot be restored, the core will eventually melt (after several days), and will likely be contained in the containment. Note that the term “meltdown” has a vague definition. “Fuel failure” is a better term to describe the failure of the fuel rod barrier (Zircaloy).  This will occur before the fuel melts, and results from mechanical, chemical, or thermal failures (too much pressure, too much oxidation, or too hot).
However, melting was a long ways from happening and at this time, the primary goal was to manage the core while it was heating up, while ensuring that the fuel cladding remain intact and operational for as long as possible.
Because cooling the core is a priority, the reactor has a number of independent and diverse cooling systems (the reactor water cleanup system, the decay heat removal, the reactor core isolating cooling, the standby liquid cooling system, and others that make up the emergency core cooling system). Which one(s) failed when or did not fail is not clear at this point in time.
Since the operators lost most of their cooling capabilities due to the loss of power, they had to use whatever cooling system capacity they had to get rid of as much heat as possible. But as long as the heat production exceeds the heat removal capacity, the pressure starts increasing as more water boils into steam. The priority now is to maintain the integrity of the fuel rods by keeping the temperature below 1200°C, as well as keeping the pressure at a manageable level. In order to maintain the pressure of the system at a manageable level, steam (and other gases present in the reactor) have to be released from time to time. This process is important during an accident so the pressure does not exceed what the components can handle, so the reactor pressure vessel and the containment structure are designed with several pressure relief valves. So to protect the integrity of the vessel and containment, the operators started venting steam from time to time to control the pressure.
As mentioned previously, steam and other gases are vented. Some of these gases are radioactive fission products, but they exist in small quantities. Therefore, when the operators started venting the system, some radioactive gases were released to the environment in a controlled manner (ie in small quantities through filters and scrubbers). While some of these gases are radioactive, they did not pose a significant risk to public safety to even the workers on site. This procedure is justified as its consequences are very low, especially when compared to the potential consequences of not venting and risking the containment structures’ integrity.
During this time, mobile generators were transported to the site and some power was restored. However, more water was boiling off and being vented than was being added to the reactor, thus decreasing the cooling ability of the remaining cooling systems. At some stage during this venting process, the water level may have dropped below the top of the fuel rods.  Regardless, the temperature of some of the fuel rod cladding exceeded 1200°C, initiating a reaction between the Zircaloy and water. This oxidizing reaction produces hydrogen gas, which mixes with the gas-steam mixture being vented. This is a known and anticipated process, but the amount of hydrogen gas produced was unknown because the operators didn’t know the exact temperature of the fuel rods or the water level. Since hydrogen gas is extremely combustible, when enough hydrogen gas is mixed with air, it reacts with oxygen. If there is enough hydrogen gas, it will react rapidly, producing an explosion. At some point during the venting process enough hydrogen gas built up inside the containment (there is no air in the containment), so when it was vented to the air an explosion occurred. The explosion took place outside of the containment, but inside and around the reactor building (which has no safety function). Note that a subsequent and similar explosion occurred at the Unit 3 reactor. This explosion destroyed the top and some of the sides of the reactor building, but did not damage the containment structure or the pressure vessel. While this was not an anticipated event, it happened outside the containment and did not pose a risk to the plant’s safety structures.
Since some of the fuel rod cladding exceeded 1200°C, some fuel damage occurred. The nuclear material itself was still intact, but the surrounding Zircaloy shell had started failing. At this time, some of the radioactive fission products (cesium, iodine, etc.) started to mix with the water and steam. It was reported that a small amount of cesium and iodine was measured in the steam that was released into the atmosphere.
Since the reactor’s cooling capability was limited, and the water inventory in the reactor was decreasing, engineers decided to inject sea water (mixed with boric acid – a neutron absorber) to ensure the rods remain covered with water. Although the reactor had been shut down, boric acid is added as a conservative measure to ensure the reactor stays shut down. Boric acid is also capable of trapping some of the remaining iodine in the water so that it cannot escape, however this trapping is not the primary function of the boric acid.
The water used in the cooling system is purified, demineralized water. The reason to use pure water is to limit the corrosion potential of the coolant water during normal operation. Injecting seawater will require more cleanup after the event, but provided cooling at the time.
This process decreased the temperature of the fuel rods to a non-damaging level. Because the reactor had been shut down a long time ago, the decay heat had decreased to a significantly lower level, so the pressure in the plant stabilized, and venting was no longer required.
  • Explicação das explosões nas unidades 1 e 3 (15 de Março)
Explosions at units 1 and 3 occurred due to similar causes. When an incident occurs in a nuclear power plant such as a loss of coolant accident or when power is lost, usually the first response is to depressurize the reactor. This is done by opening pressure relief valves on the reactor vessel. The water/steam mixture will then flow down into the suppression pool, which for this design of a reactor is in the shape of a torus (technical term for the shape of a donut). By blowing the hot steam into the suppression pool some of the steam is condensed to liquid phase, which helps keep the pressure low in the containment.
The pressure in the reactor vessel is reduced  by  venting the water/steam mixture. It is much easier to pump water into the vessel when it is at a reduced pressure, thus making it easier to keep the fuel cooled. This procedure was well underway after the earthquake. Unfortunately, because of the enormous magnitude of the earthquake, an equally large tsunami was created. This tsunami disabled the onsite diesel generators as well as the electrical switchyard. Without power to run pumps and remove heat, the temperature of the water in the reactor vessel began to rise.
With the water temperature rising in the core, some of the water began to vaporize and eventually uncovered some of the fuel rods. The fuel rods have a layer of cladding material made of a zirconium alloy. If zirconium is hot enough and is in the presence of oxygen (The steam provides the oxygen) then it can undergo a reaction that produces hydrogen gas. Hydrogen at concentrations above 4% is highly flammable when mixed with oxygen; however, not when it is also in the presence of excessive steam.
As time went on, the pressure in the containment rose to a much higher level than usual. The containment represents the largest barrier to the release of radioactive elements to the environment and should not be allowed to fail at any cost. The planned response to an event like this is to vent some of the steam to the atmosphere, just to keep the pressure under control.
Exactly what happened next is not verified; however, the following is very likely the general explanation for the explosion. It was decided to vent the steam through some piping that led to a space above and outside containment, but inside the reactor building. At this point, the steam and hydrogen gas were mixed with the air in the top of the reactor building. This was still not an explosive mixture because large amounts of steam were mixed with the hydrogen and oxygen (from the air). However, the top of this building is significantly colder than inside the containment due to the weather outside. This situation would lead to some of the steam condensing to water, thereby concentrating the hydrogen and air mixture. This likely went on for an extended period of time, and at some point an ignition source (such as a spark from powered equipment) set off the explosion that was seen in units 1 and 3. The top of the reactor building was severely damaged; however, the containment structure showed no signs of damage.
Right after the explosions there were spikes in the radiation levels detected, because there were some radioactive materials in the steam. When the zirconium alloy cladding reacted to make hydrogen, it released some fission products. The vast majority of the  radioactive materials in the fuel will remain in the fuel. However, some of the fission products are noble gases (xenon, Xe and krypton, Kr) and will immediately leave the fuel rods when the cladding integrity is compromised. Fortunately, Xe and Kr are not a serious radiological hazard because they are chemically inert and will not react with humans or plants. Additionally, small quantities of iodine (I) and cesium (Cs) can be entrained with the steam. When the steam was vented to the reactor building, the Xe and Kr would have followed as well as some small amounts of I and Cs. Thus, when the roof of the reactor building was damaged, these radionuclides that were in the reactor building would have also been released. This is the reason a sudden spike was seen in radiation levels. These heightened radiation levels quickly decreased. This is because there was no damage to the containment which would increase the quantities of radionuclide released, and because the radionuclides released during the explosion quickly decayed away or dispersed.
Unit 2 explosion
Recent information indicates that unit 2 may have suffered a containment breach. Pressure relief of unit 2 was complicated by a faulty pressure relief valve, which complicated the injection of sea water and the evacuation of the steam and hydrogen. It is reported that the fuel rods were completely exposed twice. More details to follow.
Unit 4 fire
A fire was reported at unit 4 which was in a shutdown state during the earthquake and tsunami for a planned outage.  Latest reports indicate that the fire was put out. More details to come.
  • Estragos em Fukushima Daiichi II
Confirmation of loud sounds this morning came from the Nuclear and Industrial Safety Agency (NISA). It noted that “the suppression chamber may be damaged.” It is not clear that the sounds were explosions.
Also known as the torus, this large doughnut-shaped structure sits in the centre of the reactor building at a lower level than the reactor. It contains a very large body of water to which steam can be directed in emergency situations. The steam then condenses and reduces pressure in the reactor system.
The pressure in the pool was seen to decrease from three atmospheres to one atmosphere after the noise, suggesting possible damage. Radiation levels on the edge of the plant compound briefly spiked at 8217 microsieverts per hour but later fell to about a third that.
A close watch is being kept on the radiation levels to ascertain the status of containment. As a precaution Tokyo Electric Power Company has evacuated all non-essential personnel from the unit. The company’s engineers continue to pump seawater into the reactor pressure vessel, in an effort to cool it.
Prime minister Naoto Kan has requested that everyone withdraw from the ten kilometer evacuation zone around the nuclear power plant and that people that stay within remain indoors. He said his advice related to the overall picture of safety developments at Fukushima Daiichi, rather than those at any individual reactor unit.
  • Explosão na unidade 2 e incêndio na piscina de resíduos da unidade 4
Explosion at Unit 2
It was reported earlier today that the explosion at Unit 2 of the Fukushima Daiichi plant damaged the suppression chamber. As discussed in the previous paragraph, the suppression chamber/torus (i.e. donut shape vessel containing water) is used to depressurize the reactor. The suppression pool is designed to condense the hot steam from the reactor, but can only do so as long as sufficient cold water remains in it.  It should also be noted that the suppression pool is part of the primary containment.
Hydrogen gas from the cladding oxidation with steam collected in the suppression pool and ignited. This scenario differs from those of units 1 and 3 where the explosion occurred outside the primary containment in the upper part of the reactor building.  The reasons why the steam/gas mixture was not released to the reactor building are still not clear. This breach of primary containment is certainly more serious than the situation in units 1 and 3.  Seawater is still being pumped in the containment and the reactor vessel.  At this time radioactive releases from unit 2 have been similar to the ones seen from units 1 and 3.
Fire at Unit 4 spent fuel pool
Recent reports by TEPCO indicate that an oil leak in a cooling water pump was the cause for the fire that burned for approximately 2 hours on Tuesday.  On Wednesday morning (local time), another fire broke out, but it is reported the fire is not at the spent fuel pool. The cause is still unknown.
Reactor spent fuel pools
Spent fuel pools are used to cool down used nuclear fuel after it is removed from the reactor. The used nuclear fuel still contains residual heat from the radioactive decay of the fission product and must be stored in a cooled pool of water until intermediate or ultimate disposal. If insufficient cooling is provided to the pools, the water boils potentially exposing the spent fuel. As the temperature increases, the cladding would oxidize with the steam releasing hydrogen which can then ignite. This would also create fuel failures, releasing radioactive gases such as iodine, cesium and strontium.
It should be noted that unit 4 was under a 105-day long outage and that the fuel in the reactor had been moved to the spent fuel pool. Reports throughout the day indicated that the temperature of the spent fuel pool was increasing.
Current reports also indicate that the temperatures in the spent fuel pools of units 5 and 6 are also increasing.
  • Acerca das piscinas de arrefecimento de resíduos
Spent nuclear fuel (SNF) refers to fuel after it has fuelled a reactor. This fuel looks like new fuel in the sense that it is made of solid pellets contained in fuel rods. The only difference is that SNF contains fission products and actinides, such as plutonium, which are radioactive, meaning it needs to be shielded. Just as with the fuel rods in a shutdown reactor, the SNF produces decay heat because most of the decay radioactivity from the fission products and actinides is deposited in the fuel and converted into thermal energy (aka heat). As a result, the SNF also needs to be cooled, but at a much lower level than fuel in a recently (<12 hours) shutdown reactor as it produces only a fraction of the heat. In summary, the SNF is stored for a period time to: 1) allow the fuel to cool as its decay heat decreases; and 2) shield the emitted radiation.
To accomplish these goals, SNF is stored in water pools and large casks that use air to cool the fuel rods.  The pools are often located near the reactor (in the upper floors of the containment structure for a BWR Mark-1 containment). These pools are very large, often 40 feet deep (or larger depending on the design). The pools are made of thick concrete, lined with stainless steel. SNF assemblies are placed in racks at the bottom of these pools, so almost 30 feet of water covers the top of the SNF assemblies. The assemblies are often separated by plates containing boron which ensure a neutron chain reaction cannot start. The likelihood of such an event is further reduced because the useful uranium in the fuel has been depleted when it was in the reactor, so it is no longer capable of sustaining a chain reaction. The water in the pool is sufficient to cool the SNF, and the heat is rejected through a heat exchanger in the pool so the pool should stay at fairly constant average temperature. The water depth also ensures the radiation emitted from the SNF is shielded to a level where people can safely work around the pools.
If there is a leak in the pool or the heat exchanger fails, the pool temperature will increase. If this happens for long enough, the water may start to boil. If the boiling persists, the water level in the pool may fall below the top of the SNF, exposing the rods. This can be a problem as the air is not capable of removing enough heat from the SNF so the rods will begin to heat up. If the rods get hot enough, the zirconium-based cladding will oxidize with the steam and air, releasing hydrogen which can then ignite. These events would likely cause the clad to fail, releasing radioactive fission products like iodine, cesium, and strontium.  It is important to note that each of these occurrences (cooling system failure, pool water boiling, fuel rod overheating in air, zirconium oxidation reaction) would each have to last sufficiently long in order to cause an accident, making the total likelihood of a serious situation very low.
The most significant danger if such an event were to occur is that there is no robust containment structure (like the one housing the reactor,) surrounding the SNF pool. While SNF pools themselves are very robust structures, the roof above each pool is not as strong and may have been damaged, meaning the surface of the pool may be open to the environment. As long as the water covers the fuel, this does not pose a direct threat to the environment, however it does allow for a possible dispersion of these fission products if a fire were to occur. But if the water level stays above the fuel, the threat of a large dispersion event is low.
  • Ponto da situação (0h00 de 16 de Março, hora de Lisboa)
First, the situation is clearly (but slowly) stabilising. As each day passes, the amount of thermal heat (caused by radioactive decay of the fission products) that remains in the reactor fuel assemblies decreases exponentially. When the reactors SCRAMed on 11 March after the earthquake, and went sub-critical, their power levels dropped by about 95 % of peak output (the nuclear fission process was no longer self-sustaining). Over the past 5 days, the energy in the fuel rods dropped by another ~97 %, such that the heat dissipation situation is getting more and more manageable. But we’re not out of the woods yet, and the reactor cores will need significant cooling for at least another 5 days before stability can be ensured.
Yesterday there appears to have been a fracture in the wetwell torus (see diagram: that circular structure below and to the side of the reactor vessel) in Unit 2, caused by a hydrogen explosion, which led to a rapid venting of highly radioactive fission product gases (mostly noble [chemically unreactive] gases, the majority of which had a half-life of seconds to minutes). It also caused a drop in pressure in the supression pool, which made the cooling process more challenging. However, despite some earlier concerns, it is now clear that containment was not breached. Even under this situation of extreme physical duress, the multiple containment barriers have held firm. This is an issue to be revisited, when the dust finally settles.
Units 1 and 3, the other two operating reactors at Fukushima Daiichi when the earthquake struck, continue to be cooled by sea water. Containment is secure in both units. However, like Unit 2, there is a high probability that the fuel assemblies have likely suffered damage due to temporary exposure (out of water), as the engineers struggled over the last few days to maintain core coolant levels. Whether there has been any melting of the clad or rods remains unclear, and probably will continue to be shrouded in a cloud of uncertainty for some time yet.
The other ongoing serious issue is with managing the heat dissipation in the spent fuel ponds. These contain old fuel rods from previous reactor operation that are cooling down, on site, immersed in water, which also provides radiation shielding. After a few years of pond cooling, these are transferred to dry storage. The heat in these rods is much less than those of the in-core assemblies, but it is still significant enough as to cause concern for maintaining adequate coverage of the stored fuel and to avoid boiling the unpressurised water. There have been two fires in Unit 4, the first tentatively linked to a failed oil pump, and the second, being of (currently) unknown cause, but the likelihood is that it was linked to hydrogen gas bubbling.
There appears to have been some exposure of this spent fuel, and radiation levels around this area remain high — making access in order to maintain water levels particularly troublesome. Note that apart from short-lived fission product gases, these radiation sources are otherwise contained within the rods and not particularised in a way that facilitates dispersion. Again, the problems encountered here can be linked to the critical lack of on-site power, with the mains grid still being out of action. As a further precaution, TEPCO is considering spraying the pool with boric acid to minimise the probability of ‘prompt criticality’ events. This is the news item we should be watching most closely today.

E finalmente, para romper um pouco a barragem terrorista de alguns media sobre a radioactividade emitida no processo, transcrevo um artigo fresco da Scientific American sobre isso.
  • De como a radioactividade afecta a saúde
The developing crisis at the Fukushima Daiichi nuclear power plant in the wake of the March 11 earthquake and tsunami has raised concerns over the health effects of radiation exposure: What is a "dangerous" level of radiation? How does radiation damage health? What are the consequences of acute and long-term low-dose radiation?
Though radioactive steam has been released to reduce pressure within the plant's reactors and there has been additional radiation leakage from the three explosions at the
plants, the resulting spikes in radiation levels have not been sustained. The highest radiation level reported thus far was a pulse of 400 millisieverts at reactor 3, measured at 10:22 am local time March 15. The level of radiation decreases dramatically as distance from the site increases. Radiation levels in Tokyo, about 220 kilometers to the southwest, have been reported to be only slightly above normal.
"We are nowhere near levels where people should be worried," says
Susan M. Langhorst, a health physicist and the Radiation Safety Officer at Washington University in St. Louis.
According to Abel Gonzalez, vice-chairman of the
International Commission on Radiological Protection who studied the 1986 Chernobyl disaster, current information coming from Japan about levels of radiation leakage are incomplete at best and speculations about "worst-case scenarios" are as-of-yet irrelevant.
The health effects of radiation depend on its level, type and the exposure duration.

Level of radiation:
The average person is exposed to 0.2 to 0.3 millisieverts of background radiation per year, a combination of cosmic radiation and emissions from building materials and natural radioactive substances in the environment.
The
U.S. Nuclear Regulatory Commission recommends that beyond this background level, the public limit their exposure to less than an additional 1 millisievert per year. The U.S. limit for radiation workers is 50 millisieverts annually, though few workers are exposed to anything approaching that amount. For patients undergoing medical radiation, there is no strict exposure limit and it is the responsibility of medical professionals to weigh the risks and benefits of radiation used in diagnostics and treatment, according to Langhorst. A single CT scan, for example, can expose a patient to more than 1 milliSievert of radiation.
Radiation sickness (or acute radiation syndrome) usually sets in after a whole-body dose of 3 sieverts, that is, 3,000 times the recommended public dose limit per year, says Langhorst. The first symptoms of radiation sickness—nausea, vomiting, and diarrhea— can take mere minutes or up to days to manifest, according to the Centers for Disease Control. A period of serious illness, including loss or appetite, fatigue, fever, gastrointestinal problems, and possible seizures or coma, may follow and last from hours to months.
Type of radiation:
The type of radiation of concern in the current situation is ionizing radiation, which is produced by spontaneously decaying heavy atoms, such as iodine-131 and cesium-137. Ionizing radiation is so-called because it has sufficient energy to ionize atoms (change the charge on them, usually by knocking out electrons), giving them the potential to tamper with the atoms and molecules within living tissues.
Ionizing radiation takes different forms. In gamma and X-ray radiation, atoms release energetic light particles that are powerful enough to penetrate throughout the body. Alpha and beta radiation are of lower energy and can often be blocked by just a sheet of paper. However, if radioactive material is ingested or inhaled into the body, it is actually the lower energy alpha and beta radiation that becomes the more dangerous. That's because a large portion of gamma and X-ray radiation will pass directly through the body without interacting with the tissue (considering that at the atomic level, the body is mostly empty space), while alpha and beta radiation, unable to penetrate tissue, will lose all their energy by colliding with the atoms in the body and likely cause more damage.
In the Fukushima situation, the radioactive materials detected, iodine-131 and cesium-137, emit both gamma and beta radiation. These radioactive materials are products of the nuclear fission reactions that generate power in the nuclear power plants.
The Japanese government has evacuated 180,000 people from within a 20-kilometer radius of the Fukushima Daiichi plant. They are urging people within 30 kilometers of the plant to remain indoors, close all windows, and to change clothes and wash exposed skin after coming in from the outside. These measures are mainly aimed at reducing the potential for inhaling or ingesting beta-emitting radioactive material.
Duration of exposure:A very high single dose (acquired within minutes) of radiation can be more harmful than the same dose accumulated over time. According to the World Nuclear Association, a single dose of 1 sievert is likely to cause temporary radiation sickness and lower white blood cell count, but does not cause death. A single dose of 5 sieverts would likely kill half of those exposed within a month. At 10 sieverts, death occurs within a few weeks.
The effects of long-term, low-dose radiation are much more difficult to gauge. DNA damage from radiation can cause mutations that lead to
cancer, especially in tissues with high rates of cell division, such as the gastrointestinal tract, reproductive cells and bone marrow. But the increase in cancer risk is so small as to be difficult to determine without studying a very large population of people exposed to radiation. As an example, according to Langhorst, 10,000 people exposed to a 0.01 seivert whole-body dose of radiation would potentially increase the total number of cancers in that population by eight. However, the normal prevalence of cancer would predict 2,000 to 3,300 cancer cases in a population of 10,000, so "how do you see eight excess cancers?" says Langhorst. Lessons from Chernobyl:According to Gonzalez, some of the emergency workers at Chernobyl received several sieverts of radiation, and many were working "basically naked" due to the heat, allowing contaminated powder to be absorbed through their skin. In comparison, the Japanese workers are most likely very well-equipped and protected at least from direct skin doses. TEPCO, the company that owns the plant, has evacuated most of its workers, but 50 remain at the site to pump cooling seawater into the reactors and prevent more explosions. These workers are likely exposing themselves to high levels of radiation and braving significant health risks. "As a matter of precaution, I would limit the workers' exposure to 0.1 sievert and I would rotate them," says Gonzalez. The workers should be wearing personal detectors that calculate both the rate and total dose of radiation and that set off alarms when maximum doses are reached. "If the dose of the workers start to approach 1 sievert then the situation is serious," he says.
The thousands of children who became sick in the aftermath of the Chernobyl disaster were not harmed from direct radiation or even from inhalation of radioactive particles, but from drinking milk contaminated with radioactive materials. Cesium-137 released during the Chernobyl explosion contaminated the grass on which cows fed, and the radioactive substances accumulated in cows' milk. Parents unaware of the danger served contaminated milk to their children. "Certainly this will not happen in Japan," says Gonzalez.
When it comes to radiation exposure, professionals who frequently work with radioactive materials, whether in a hospital or a nuclear power plant, abide by the ALARA principle: "As Low as Reasonably Achievable." Radiation exposure limits are conservatively set well below the levels known to induce radiation sickness or suspected of causing long-term health effects. Temporary exposure to levels many times these limits is not necessarily dangerous.
News of the
U.S. Navy repositioning its warships upwind of the reactor site, the distribution of potassium-iodide pills by the Japanese government, and images of officials in hazmat suits using Geiger counters to measure radiation levels among babies may stoke the public's fears—but for now these measures are ALARA in action, or "good extra precautions," says Gonzalez. The idea here is to always err on the side of caution.