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quinta-feira, dezembro 13, 2012

A taxa de Carbono do Eng.º Moreira da Silva

O Vice-Presidente do Partido maioritário no nosso Governo, detentor de um notável curriculum nos corredores internacionais do nacional-ecologismo alemão, propõe hoje para o relançamento da economia nacional a criação de uma "Taxa de Carbono" de 3,5% a pagar pelos portugueses no IRS.
Segundo outras notícias, quando do recente "movimento" dos Ministros da Economia do Sul para a "reindustrialização" junto de Bruxelas, o nosso Ministro da Economia terá pedido uma política industrial mais "amiga do investimento" e menos fundamentalista quanto aos espartilhos ambientalistas, mas esta nota não terá colhido grande eco. De facto, Bruxelas e a indústria alemã, que não sofre de problemas de "desindustrialização", julgam até que a aposta numa renovação industrial mundial apoiada em restrições ambientais pode ser a chave da competitividade europeia (alemã, leia-se), desde que consigam moldar o resto do mundo a essas restrições...
É patente que a proposta da taxa de carbono do Eng.º Moreira da Silva se insere nesse pensamento ecotópico.
Não vou discutir agora a visão económica destas propostas.
Vou apenas lembrar alguns números constantes do relatório de 2007 do IPCC sobre o aquecimento global, que é a base (contestada) do pensamento ecotópico e cuja validade científica não vou questionar. Vou lembrar esses números por que até eles são repetida e descaradamente falsificados pelos ecotópicos!

É frequente ouvir-se que a emissão de CO2 pelo uso de combustíveis fósseis é responsável por 85% do "efeito de estufa". Vejam-se então os números da ONU (IPCC de 2007), quanto à contribuição e origem dos diversos gases causadores desse efeito:

Por tipo de gás:

  • CO2 resultante do consumo de combustíveis fósseis: 56%;
  • CO2 resultante da desflorestação, decomposição de biomassa, etc: 17%;
  • Metano: 15%;
  • Nitritos: 8%;
  • CO2 resultante de outros processos: 3%;
  • Outros gases residuais: 1%.

Além de ser corrente atribuir-se às emissões de CO2 resultantes do consumo de combustíveis fósseis 85% do efeito de estufa, é também usual associar essas emissões à produção de energia, levando a pensar que o problema se resolve com energias renováveis na geração de electricidade. Ora veja-se então a composição de origens dos gases acima listados, sempre de acordo com o mesmo relatório do IPCC:

Emissão de gases de efeito de estufa, por actividade:

  • Produção de electricidade: 26%;
  • Indústria (especialmente cimenteiras, siderurgias, refinarias,...): 19%;
  • Desflorestação: 17.5%;
  • Agricultura: 13.5%;
  • Transportes: 13%;
  • Edifícios: 8%;
  • Lixos e esgotos: 3%.
Neste post aqui e noutros sob a rubrica "clima", pode o leitor encontrar os hyperlinks para as fontes do IPCC que referi.
E pode também encontrar aqui uma nota sobre os custos desta política europeia, que evidentemente não são repartidos equitativamente pelos diversos países da União...

Adenda: Para confirmar a reprimenda dada ao Ministro da Economia pelo nacional-ecologismo alemão sobre essa sua ideia de reindustrializar Portugal, a recém-convertida à causa alemã que supervisiona o Ministério da Agricultura, veio a público desautorizar o colega. Como no seu Ministério o pelouro do ambiente foi "industriado" pelo irmão do Engº. Moreira da Silva, faz sentido...

sábado, agosto 27, 2011

Provas experimentais da relação entre os raios cósmicos e a formação de nuvens

Como sabem os meus leitores, tenho feito aqui algum eco da teoria climática alternativa que atribui uma importância crucial sobre o clima ao mecanismo de formação de nuvens determinado pela radiação cósmica.
Convém desde já notar que não tenho posição definida sobre teorias climáticas (sou nesta matéria, digamos, agnóstico). Não sei do assunto, cuja complexidade me é evidente, o suficiente para tomar esta ou aquela posição.
O que combato é toda uma ideologia proto-fascista associada à teoria do aquecimento global de origem antropogénica (vulgo "efeito de estufa"), que mente sobre coisas como as posições da ONU sobre a contribuição da produção de energia e dos transportes para o referido aquecimento, e que tem servido para justificar, sem qualquer razoabilidade mesmo à luz dessa teoria, a aposta em energias renováveis de tecnologia imatura ou suportando interesses económicos anti-portugueses (dados os excessos cometidos). Na rúbrica sobre "clima" deste blog podem encontrar as minhas reflexões sobre isto, se porventura vos interessarem.
Foi há cerca de 6 meses que aqui mencionei, pela primeira vez e por a ter descoberto havia pouco tempo, a teoria da radiação cósmica como criadora de nuvens e, portanto, como determinante da temperatura média do planeta.
Duas coisas nesta teoria motivaram a minha atenção: a primeira é a excelente correlação empírica entre os registos mineralógicos em rochas antigas da radiação cósmica com as estimativas das temperaturas das mesmas épocas, o que relativamente à teoria do "efeito de estufa" me parece muito mais especulativo (que nas épocas quentes passadas teriam sido grandes libertações de metano que teriam causado o arrefecimento global, coisa muito menos comprovável que os registos da radiação cósmica em certas rochas); a segunda é a concepção de uma comprovação experimental da teoria da formação de nuvens por radiações de alta energia como as cósmicas, a realizar numa câmara apropriada no CERN.
Há cerca de um mês "roubei" ao Ecotretas um link para um excelente filme que explica toda esta teoria, e que inseri num post sobre o Verão excepcionalmente fresco que este ano temos ( e que esta teoria explica facilmente).
Ora hoje mesmo, regressado de férias, dou com esta notícia na Scientific American, uma revista que até é decididamente pró-aquecimento de origem antropogénica: a notícia, de facto obtida da Nature, informa que... os primeiros resultados das experiências do CERN confirmam preliminarmente a teoria (do papel da radiação cósmica no mecanismo da criação de nuvens).
O Ecotretas, sempre atento a estas coisas, já dera ontem notícia do facto, augurando até a atribuição do prémio Nobel ao dinamarquês que tem sido incansável nesta pesquisa!
No entanto, os resultados são preliminares e os próprios autores reconhecem que as partículas criadas pelos raios gerados experimentalmente são demasiado pequenas para servirem de "sementes" das nuvens. Mas vão no sentido da confirmação da teoria, que, segundo os investigadores envolvidos, requererá mais 5 anos de experiências e interpretação dos resultados. Seja qual for o resultado final desta investigação, as suas conclusões hão-de ser fundamentais para a progressiva compreensão científica do clima.
Ah, e há um português na equipa do CERN que publicou o artigo da Nature: João Almeida, como colaborador do SIM da Faculdade de Ciências de Lisboa que participa no CLOUD (aparentemente apenas com um bolseiro, que não consegui confirmar, mas presumo que seja o João Almeida, embora ninguém com esse nome conste da lista de colaboradores do SIM)...
As implicações políticas desta investigação científica são evidentes. O que não significa que não se defenda a descarbonização da economia - mas essencialmente por razões de esgotamento dos combustíveis fósseis - como faz a China. O que impõe timings completamente diferentes, compatíveis com as expectativas de evolução da exequibilidade técnico-económica.
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Nota extra: um leitor chamou-me a atenção para o facto de que há mais portugueses na lista de autores do artigo da Nature. Não me tinha dado conta mas, com efeito, "clicando" no "et al" que aparece no fim da lista de autores visíveis, esta estende-se e aparecem muitos mais, incluindo o Prof. António Amorim. As minhas desculpas pelo lapso involuntário.

terça-feira, julho 26, 2011

Este Verão os ecotópicos estão caladinhos.

No ano passado, em que o Verão foi quente, foi intensa a campanha mediática dos ecotópicos ao serviço do nacional-ecologismo alemão e dos seus representantes portugueses, culpando o "efeito estufa" causado pelo desmedido consumismo humano de ser a causa disso.
Dei nota disso aqui.
Este ano, porém, em que Julho está a ser o mês mais fresco dos últimos 27 anos, e que em Cuba até se vivem as temperaturas mais baixas dos últimos 50 anos, os ecotópicos estão caladinhos.
Claro que há Verões mais quentes e Verões menos quentes, como sempre houve, e como é normal dentro da variabilidade natural do clima. Nada se pode deduzir das temperaturas de um dado Verão, pese embora a tendência ancestral para nos culparmos dos males do clima e que os nossos ecotópicos acicatam.
Entretanto, neste mesmo hyperlink acima, dei conta, há meses, das investigações em curso no CERN sobre o papel das nuvens e dos raios cósmicos no comportamento do clima. Para os interessados, aponto aqui um excelente documentário (52 minutos) sobre esta teoria climática alternativa e que, por enquanto, está tanto sobre a mesa da ciência em aberto como a do efeito estufa de origem antropogénica.

terça-feira, junho 07, 2011

Luta de classes na questão climática

Por intermédio do Ecotretas, soube da Tese de Doutoramento de Daniela Onça, em Geografia Humana, na Universidade de São Paulo.
A tese é "céptica" relativamente à teoria do Aquecimento Global de origem antropogénica, teoria relativamente à qual me considero, no estado actual do conhecimento, agnóstico, mas cuja sacralização pelos novos sacerdotes do Templo climático já aqui denunciei como interesseira, manipuladora e abusiva.
É um trabalho de mais de 500 páginas e ainda não o li, mas uma breve vista de olhos permitiu ver logo que se coloca numa posição de "luta de classes", considerando que a teoria do Aquecimento global de origem antropogénica é uma nova ideologia de salvação do "capitalismo serôdio".
Esta posição não é da Daniela, embora ela cite Kropotkin e lhe dedique um capítulo inteiro e, como lhe suspeitei a origem, fui confirmar nas fontes citadas: e é de facto a teoria defendida desde 1979 por João Bernardo e cujos argumentos científicos até subscrevo (o resto, passo...)!
João Bernardo tem vivido no Brasil nas últimas décadas e sempre foi um revolucionário intelectualmente ambicioso. De facto, pode-se dizer que tomou em ombros a tarefa de rever o marxismo de alto a baixo e não me vou alongar sobre isso, mas apenas manifestar o meu sorriso por ele, que foi meu guru ideológico há 40 anos e que disponibilizou recentemente um espólio dessa época (mas onde não vi registo da crítica "Na via revolucionária" elaborada por "Vicente" e outros em Fevereiro de 1973) ter dado agora origem a estes frutos climáticos :-)) ...

quinta-feira, fevereiro 03, 2011

O Templo climático e os sacrifícios humanos VS o projecto CLOUD no CERN

Em muitas civilizações antigas praticavam-se sacrifícios humanos.
Nas civilizações Azteca, Maia e Inca, são bem conhecidos os assassínios rituais (geralmente de crianças) como forma rotineira de influenciar a sorte da vida e em especial o clima, oferecendo aos Deuses. O filme Apocalipto popularizou o conhecimento dessas práticas.
Mas, por toda a Antiguidade desde a Pré-História, praticaram-se sacrifícios humanos: Jeová pediu a Abraão que sacrificasse o próprio filho (tendo depois comutado o pedido no sacrifício de um carneiro), e a lenda diz que Cartago sacrificou todos os primogénitos quando soube que Cipião desembarcara com as suas legiões em África (os romanos, aliás, desprezavam profundamente a prática de sacrifícios humanos destes e outros "bárbaros", como os gauleses).
Nas civilizações que triunfaram, em regra as práticas de sacrifícios humanos acabaram nos primórdios (como no Egipto), mas na Índia regiões houve em que ainda se praticavam no sec. XIX, tal como em África em regiões não islamizadas nem cristianisadas.

Tendo ocorrido de forma tão generalizada em tantas regiões e comunidades humanas que não comunicavam entre si, ocorre pensar que há algo de universal na psicologia humana que promove a prática auto-sacrificial como forma de lidar com fenómenos catastróficos cuja causa se desconhece. Um extraordinário romance que li na adolescência descreve essa psicologia: "A um Deus desconhecido", de Steinbeck.
A personagem central, um farmer da Califórnia, desenvolve uma relação imaginária com os elementos da Natureza com que lida, elegendo uma árvore particular para representante do espírito que vai atribuindo a esses elementos e, no fim, arruinado por uma seca devastadora, abre os pulsos perante a árvore que escolhera como altar, num auto-sacrifício visando o regresso da chuva...
Pessoalmente penso que este tipo de pensamento mágico está muito mais disseminado entre nós do que se pensa, e que pode ser identificado em inúmeros negócios que o exploram como, num exemplo entre tantos outros, os produtos dietéticos (caros e de mau paladar) para quem precisa de emagrecer...

Ora vem isto tudo a propósito de me ocorrer que, também na questão do Aquecimento Global e das medidas auto-punitivas que certas correntes advogam para o "acalmar", se observa o mesmo tipo de pensamento mágico e de irracional sentimento de culpa que Steinbeck narrou no A um Deus desconhecido.
A questão é que, como já em tempos aqui notei a partir dos próprios relatórios do Painel climático Inter-governamental da ONU (IPCC), mesmo admitindo que o Aquecimento Global em curso resulta da emissão de Gases causadores de Efeito de Estufa, a parcela resultante das emissões pela produção mundial de energia eléctrica e pelos transportes rodoviários é de... apenas 20%! Só as emissões pelos incêndios florestais emitem tanto como todas as centrais eléctricas de combustíveis fósseis e todos os automóveis e camiões do mundo juntos!!!... e isto sem falar do mau uso do solo criado pela explosão demográfica!...
Neste contexto, como explicar o afã com que os ecotópicos nos procuram aterrorizar com degelos terminais e cheias apocalípticas, se nós e a Ásia não reduzirmos o consumo de energia e o uso do automóvel, a não ser pelo mesmo tipo de pensamento mágico e invocação auto-sacrifical pré-científicos?
Na verdade, ocorre-me que o verdadeiro terror que se instalou nos centros europeus donde emanam estas directivas não é o das tais cheias e dilúvios, mas sim o da... poluição asiática. Ou melhor: o do fim da Europa como centro do Mundo e o da emergência da Ásia que bem gostariam de ver voltar aos seus antigos consumos...!
E, contra isso, reagem com estes auto-sacrifícios de energia renovável caríssima e, se não reagirmos, em breve a medidas punitivas do uso do automóvel não-eléctrico (portanto, do automovel tout court...). Ideias para que tentaram arrastar o resto do Mundo em Copenhaga mas que, como era evidente aconteceria, a Ásia ignorou soberanamente!

Entretanto, recordo, tudo isto assenta no pressuposto de que o Aquecimento Global é o produto da emissão de Gases causadores de Efeito de Estufa, portanto de causas antropogénicas. Ora isto está longe de ser matéria científica inquestionável!
Sem me querer alongar sobre este tema, diria apenas que um reputadíssimo cientista, o Prof. Jan Veizer, Professor emérito de Geologia da Universidade de Otawa, um eslovaco de origem que fugiu aos 27 anos da Checoslováquia em 1968 e que mais tarde ganhou reputadíssimos prémios internacionais, tem ligado o seu trabalho geológico à estimativa da incidência de raios cósmicos de origem galáctica ao longo da História do planeta, e verificado correlações quase perfeitas entre essa radiação e a variação a longo prazo do clima, assim desafiando a perspectiva limitada do IPCC, que reduz tudo aos Gases de Efeito de Estufa (os quais, a propósito, não conseguem explicar as passadas Idades do Gelo ou o Clima tropical dos pólos no tempo dos dinossauros).
Um resumo em poucas linhas da perspectiva de Jan Veizer pode ser encontrado aqui, e um excelente artigo de 4 páginas seu, de 2009, aqui. Um outro artigo seu de 2005, mais "pesado", mostra como esta teoria pode explicar também as variações de temperatura dos últimos 4 biliões de anos, muito anteriores à própria existência da Humanidade.

Resumidamente: existe uma correlação inquestionável entre a intensidade da radiação cósmica que atinge a Terra e a respectiva temperatura, ao longo dos tempos. O que faz variar essa radiação cósmica, e como afecta ela a temperatura da Terra?
A fonte da radiação cósmica tem origem galáctica, e estima-se que a ocorrência de supernovas, assim como regiões de mais gás interestelar encontradas durante a rotação da galáxia (que tem um período de 200 milhões de anos) teriam um papel determinante na sua intensidade, mas a actividade variável do Sol e o campo magnético terrestre são cruciais na determinação de quanta dessa radiação atinge a Terra.
E como afecta a radiação cósmica o clima da Terra? Pois, isso ainda não se sabe ao certo, mas há uma teoria candidata: essa radiação ioniza moléculas de ar que por sua vez induzem a condensação da humidade atmosférica e a formação de nuvens, as quais reflectem a luz do Sol. Assim, quando aumenta a radiação cósmica que atinge a Terra, também aumenta a formação de nuvens, e com isso a Terra arrefece, acontecendo o contrário quando essa radiação diminiu, como está a acontecer desde há décadas (mas não na última década). 1% a 2% de diferença na taxa de formação de nuvens será suficiente para provocar grandes alterações climáticas.
Que falta para comprovar esta teoria? A prova experimental de que os raios cósmicos de alta energia podem, com efeito, induzir a condensação de humidade e a formação de nuvens.
E essa experiência é precisamente o objectivo do projecto CLOUD em preparação no CERN há já mais de uma década, mas de ensaios cruciais a realizar neste ano de 2011 e nos próximos. Toda a ideia subjacente pode ser lida aqui (a figura anexa mostra o equipamento para as experiências do CLOUD).
Os primeiros resultados foram apresentados há poucas semanas, mas, algo inexplicavelmente, ainda não são conhecidos.
De qualquer modo, os cientistas do CLOUD não negam que os Gases de Efeito de Estufa sejam um factor no Aquecimento Global; o que argumentam é que, pelo menos, não são o único factor! A redução da radiação cósmica terá no actual Aquecimento Global entre 45% e toda a responsabilidade, mas isso terá ainda de ser melhor contabilizado!...
Entretanto, os ataques furiosos e muitas vezes ad hominem que se desencadearam contra estes cientistas são de espantar! Ou talvez não...
É que, tal como nas antigas civilizações Maia, Azteca e Inca, ao medo do inexplicável e aos sacrifícios humanos vinha associado poder - o poder dos sacerdotes - assim o mesmo acontece com os líderes ecotópicos!
E, se não é difícil compreender que os sacerdotes Maias não gostariam de ver aparecer alguém a dizer que os sacrifícios humanos que eles executavam eram inúteis e que mais valia fazerem sistemas de irrigação que prevenissem a ocorrência de épocas de mais chuva ou de mais seca, também os novos sacerdotes do Templo climático se encarniçam por todos os meios contra o que possa ameaçar o poder político que conseguiram!
E, ao lado desses sacerdotes, estão todos os interesses instalados, tal como apoiando os sacerdotes Maias estariam os construtores de altares para sacrifícios, os afiadores das facas de execução e os caçadores de vítimas (como o filme Apocalipto romanceia)...
P.S.: a teoria de que a redução da radiação cósmica teria toda a responsabilidade no Aquecimento Global resulta da ideia de que as nuvens geradas pelo aquecimento planetário de origem humana teriam um feedback negativo no clima: o aquecimento de origem humana provocaria mais evaporação, mais nuvens, mas estas, ao reflectirem o Sol, tenderiam a arrefecer o planeta, assim contrariando o efeito humano sobre a Temperatura da Terra.

segunda-feira, outubro 11, 2010

Ecofascismo?

Hoje trago-vos um filme, por sinal bem realizado, e que é muito demonstrativo das pulsões profundas dos ecotópicos.
Podem vê-lo aqui.
E a propósito: no Reino Unido, onde foi produzido, foi proibido!

sábado, julho 31, 2010

Uma nota sobre os carros eléctricos e outra sobre a vaga de calor

Depois de ontem ter aqui comentado a indignação do ingénuo (ou ignorante) público que esperava que os novos automóveis eléctricos viessem baratos e está a descobrir que custam o dobro dos seus concorrentes a gasolina (antes de impostos), vale a pena dar notícia de uma reunião nos últimos dias em Detroit de responsáveis da indústria automóvel com representantes do Governo americano.
Segundo a Scientific American, que publica a notícia, em Detroit, a "capital do mundo das baterias" (os americanos gostam destes exageros, especialmente tendo em conta que quem domina a tecnologia das novas baterias é o Japão), já foram investidos uns 6 biliões de dólares na indústria de baterias, somando os investimentos privados às ajudas do Estado. Mas, segundo a notícia, a indústria quer mais subsídios do Estado e avisa que se não houver mercado para os novos automóveis os investidores privados se "irão embora". E como ao preço e autonomia a que vêm não se vislumbra procura pelo mercado civil, que pede a indústria? Que o próprio Estado compre os carros - para os correios, o exército, etc...
Entretanto, o Nissan Leaf só deverá aparecer por cá já 2011 irá bem adiantado. Ou muito me engano ou ainda havemos de ver os "pontos de abastecimento" da EDP ganharem ferrugem antes de terem sido utilizados...

Entretanto, logo que chegam dias de calor como os actuais, imediatamente os ecotópicos de serviço nos media começam a gritar que a culpa é do efeito de estufa, que aí está a prova do aquecimento global, que os glaciares e o Ártico estão a derreter, etc. Claro que os gelos derretem todos os Verões, especialmente em dias de calor como este. E depois voltam a congelar quando voltar o frio, no Inverno, como acontece todos os anos. Mas disso já os ecotópicos não falam...
Ora especialmente nestas alturas, jogando com a memória curta das pessoas e acicatando alarmes a que as gentes, incomodadas com a vaga de calor, estão mais susceptíveis, aparecem as notícias a dizer que estamos no "ano mais quente do século", que "ontem foi o dia mais quente desde há não sei quantas décadas" e outros alarmes que, como diz Medina Carreira, fariam Goebells sentir-se um menino de coro quanto a técnicas de manipulação de massas.
Uma das atoardas que têm sido lançadas é que o Inverno passado, que toda a gente sentiu no Hemisfério norte como tendo sido excepcionalmente rigoroso, foi dos mais quentes de sempre. Tem, por isso, razão de ser mencionar aqui a discussão sobre o assunto surgida agora na Scientific American, específicamente sobre o facto do Inverno passado ter sido aquele em que mais nevou desde que há registos nos Estados norte-americanos de Leste. Não, não foi um arrefecimento global! Foi uma combinação normal de efeitos regionais e periódicos do clima - em particular uma combinação das oscilações do El Niño e da variação períódica do clima nórdico.
Claro que as variações do clima em pequenas escalas de tempo são normais! E por aí se vê como é manipuladora a publicidade feita por cá ao facto de a temperatura dos dias mais quentes do ano ter subido ligeiramente em Lisboa nos últimos anos, depois de entretanto ter descido nos anos anteriores (coisa que esses propagandistas se esquecem sempre de referir)...!
Uma interessante investigação sobre a evolução da temperatura em Lisboa pode ser lida aqui. Em Lisboa, como em todas as grandes cidades, a construção reduz a velocidade do vento o que, por sua vez, tende a conservar o calor gerado pelas próprias actividades da cidade. Por isso a temperatura média na cidade é mais de 2ºC superior à dos seus arredores, como é normal.
Nota: não nego que esteja em curso um aquecimento global, e até que a actividade humana tenha nisso alguma responsabilidade. Mas não exageremos!...

segunda-feira, julho 26, 2010

A Europa sozinha com a sua política energética

Esta semana o Senado norte-americano desistiu da proposta da Administração Obama para criar uma multa sobre as emissões de gases de efeito de estufa e promover o uso de energias renováveis.
A nossa imprensa mal falou nisso, e quando falou foi para desvalorizar o facto dizendo que se tratou de um mero "adiamento para o Outono".
Mas, na verdade, a notícia tem um significado brutal que os nossos ecotópicos não estão interessados que se alcance: a Administração Obama não se limitou a "adiar para o Outono" a sua proposta climática: pura e simplesmente desistiu dela!
E desistiu dela por que a prioridade americana é o relançamento económico e porque nos EUA não há apoio popular para estas medidas (a propaganda "green" que impera por cá, lá tem contraditório)!
E, com isto, como notam do outro lado do Atlântico mais a Sul, "é zero a chance de um acordo internacional contra emissões no México". O que isto quer simplesmente dizer, e que é o que os nossos ecotópicos se esforçam para que não percebamos, é que as propostas europeias para Copenhaga estão mortas!
A Europa está sozinha!
Coisa que, afinal, tenho vindo a notar desde antes ainda da cimeira de Copenhaga...

Um dos evidentes sinais da falta de vontade americana para mudar radical e rapidamente o seu modo de vida é a insistência que tanto os relatórios do EPRI, como os da Academia de Ciências dos EUA, fazem quanto à necessidade de desenvolvimento das tecnologias do "carvão limpo" (captura e enterramento do CO2 emitido pelas centrais eléctricas a carvão).
Nos EUA o carvão é responsável por quase metade da electricidade produzida (mundialmente é-o por 40%, e na China é por mais de 2/3), mas as centrais eléctricas a carvão são consideradas responsáveis por 1/4 de todo o CO2 emitido pela queima de combustíveis fósseis, embora esta queima em si mesma só seja responsável por metade de toda a actividade humana geradora de Gases de Efeito de Estuda, como já tenho notado aqui e aqui.
O problema é que, como explica o referido relatório da Academia das Ciências dos EUA, o carvão americano é barato e as suas reservas dão pelo menos para mais um século! Compreende-se, por isso, as renitências americanas relativamente ao abandono do carvão e a insistência na sua manutenção, embora "limpo".
Só que há um problema grave: é que, no estado actual da tecnologia, não há nenhuma solução comprovada com viabilidade técnica, e menos ainda económica, para a "captura e enterramento do CO2" em grande escala! E, portanto, ainda que os EUA e também a China, e a Índia, vão falando no "carvão limpo" para de daqui a 10 a 20 anos, entretanto o que é certo e garantido é que vão continuar a usar o carvão sujo, e que a única forma de produção de energia que com ele pode competir é a nuclear - se conseguir demonstrar, com a nova 3ª geração das próximas centrais em construção, que mantém a competitividade económica ao mesmo tempo que garante a segurança!
Entretanto a Europa oficial, a do longínquo Governo de Bruxelas, persiste no seu devaneio de "liderança mundial" de um sonho de desindustrialização e bem estar ecológico que é, de facto, uma utopia - sobretudo quando extrapolada para a restante Humanidade que quer ascender ao bem-estar da sociedade industrial. Uma ecotopia, de facto.

terça-feira, julho 20, 2010

A política europeia para o clima e a prevista perda de riqueza de Portugal.

O Expresso on-line deu hoje conta de um artigo de Bjorn Lomborg escrito ontem no Daily Telegraph que, por sua vez, invoca o estudo do economista Richard Tol sobre os custos e os benefícios da política climática europeia - a referência ao artigo desapareceu rapidamente do Expresso (era politicamente incorrecta) , mas quem foi ao link descobre diversos outros artigos interessantes sobre o tema, nomeadamente o próprio artigo original de Richard Tol.

O estudo em questão estima em 1.3% a fatia anual do Produto Europeu Bruto que custará a realização da Directiva europeia "20/20/20", que pretende para 2020 reduzir em 20% o consumo de energia primária europeia relativamente aos valores de 1990 (praticamente os mesmos que em 2010, graças à transferência para a Ásia de muita da actividade produtiva europeia), a emissão de gases de efeito de estufa (GEE), e atingir uma quota de 20% de energia proveniente de fontes renováveis. Este valor de 1.3%, cerca de 210 biliões de € , se não for acompanhado pelo resto do Mundo só permitirá reduzir a temperatura média do planeta em 0,05ºC, um valor tão pequeno que é inferior à própria precisão possível das estimativas da temperatura. O benefício deste resultado é também estimável economicamente, através do custo atribuído à tonelada de CO2 e que mede o custo dos prejuízos ambientais causados por esse CO2.
Para Richard Tol, que pretende neste seu artigo fazer pela primeira vez uma avaliação da relação de custo/benefício da referida política europeia, o referido ganho é estimável em 1/3 do custo necessário para o atingir se o preço da tonelada de CO2 for de 50€ (mas tem estado a 13€ e mesmo as projecções futuristas lhe atribuem geralmente o valor de apenas 20€).
Entretanto, Tol cita um estudo encomendado por Bruxelas sobre o impacto que a Directiva "20/20/20" terá na redução da riqueza dos Estados-membros da União, analisa vários outros, e conclui pelos dados do gráfico que aqui mostro: Portugal, como se pode ver, perderá entre 4.4% e 0.1% do seu rendimento, com o valor mais provável de 1.4%, mas em Espanha, o país mais prejudicado, será pior!

Conclui Bjorn Lomborg: "European leaders should not abandon their commitment to taking action on climate change. But instead of wasting hundreds of billions of Euros on a pointless emissions policy, they should be investing in research and development of green energy alternatives. The reason it costs so much to reduce carbon emissions is that the green alternatives aren’t close to being ready to replace oil and other fossil fuels.”

segunda-feira, junho 28, 2010

A desinteressada candura ecotópica e o seu "flavour" ibérico...

Quando se trata de "conservar o ambiente", é vulgar ouvirmos nos últimos tempos os ecologistas utópicos lamentarem-se de que "a economia esteja a invadir o raciocínio conservacionista da natureza". Queixam-se eles, que só querem salvar o planeta, de um escrutínio crescente em nome da economia às políticas de financiamento da sua sublime causa... E lamentam-se, frequentemente, que nesses cálculos económicos dos seus escrutinadores se não contabilizam as "externalidades", que são os custos que as práticas tradicionais de exploração da natureza terão para toda a gente - tais como as despesas de saúde das pessoas intoxicadas pelas cinzas e fumos das centrais a carvão, os estragos na flora provocados pela chuva ácida, etc.
Não vou discutir hoje a economia das "externalidades", mas apenas notar que a própria necessidade da sua invocação resulta da natureza subsídio-dependente da ideologia ecotópica e da necessidade que ela tem, por isso, de convencer os decisores políticos a decretarem a transferência dos rendimentos do povo para a sua causa. Causa que será, como é apresentada, de uma desinteressada candura ambientalista e visando apenas o bem da Humanidade...

É por isso que o que pretendo apreciar hoje convosco é o tarifário criado em Portugal para as energias renováveis, e assim admirarmos juntos a candura do desinteressado propósito de salvação do clima planetário que lhe subjaz.
Como escrevi recentemente, o custo médio de produção para um investimento actual da energia eólica em Portugal remunerado a 20 anos com uma taxa razoável de 7,5% anda pelos 7,0 ç/kWh, e a presente tarifa que a remunera desde 2005 aparentemente fá-lo a 7,4 ç/kWh, mas verifica-se que na verdade o valor médio que lhe foi pago nos últimos 4 anos foi de 9.2, 9.49.5 e 9.3 ç/kWh (vd. gráfico anexo: o custo do kWh eólico deixou de facto de crescer em 2009).

O gráfico apresentado mostra que nos últimos dois anos, 2008 e 2009, o custo médio da geração PRE (que inclui as outras renováveis e térmicas "despoluentes") até excedeu o custo específico das eólicas; trata-se do efeito de um "sobressalto" tarifário na cogeração, que é depois da eólica o principal contribuinte para estes sobrecustos e também para a produção de electricidade, e de que falarei um dia destes.
O preço médio do kWh eólico tem andado, desde 2005, acima dos 9 ç/kWh apesar da tarifa média anunciada nunca ter sido superior a 7,4 ç/kWh . Vale a pena, por isso, analisar a legislação existente para perceber como permite ela esta situação (uma pedagógica explicação da fórmula de cálculo tarifária pode ser consultada aqui, e um exemplo de trabalho académico de síntese sobre o assunto é este).

O Decreto-Lei "fundador" do actual tarifário das renováveis foi o nº 168 de Maio de 1999, do Governo de Guterres, que previa desde logo uma actualização mensal com a inflação e um prazo de 12 anos (144 meses) de pagamento destas tarifas (com uma redução depois desse prazo). Porém, a referida actualização da inflação não era a referente à data de início de operação das centrais, mas sim à data fixa de Dezembro de 1998, e o Decreto-Lei do mesmo Governo que ano e meio depois o "aperfeiçoou", o nº 339-C de Dezembro de 2001, manteve a mesma data! E, por acréscimo, permitia que todas as centrais já em operação ou até mesmo apenas em construção pudessem optar por este novo regime tarifário...
Assim, só com essa "retroactividade" do cálculo da inflação, as tarifas indicadas no próprio Decreto de 2001 eram acrescidas em 10%, para as centrais que entrassem em operação naquela mesma data!

Merece entretanto a pena analisar os princípios invocados para as fórmulas tarifárias, já contidas no Decreto "fundador" de 1999 e que foram depois sucessivamente "aperfeiçoadas". A racionalidade invocada foi a dos "custos evitados" por as renováveis substituírem centrais poluentes: custos fixos de capital, custos variáveis de Operação e Manutenção (incluindo combustíveis), e custos ambientais.
Como as renováveis não substituem a construção de novas centrais, a parcela de custos fixos foi definida pequena, no caso de uma eólica típica apenas 0,24 ç/kWh.
A parcela de custos variáveis teve por referência o das termoeléctricas, e para a mesma eólica típica era de 2,49 ç/kWh em 1999. A soma destas duas parcelas dava uma quantia irrisória face aos custos de produção das renováveis, de modo que foi na parcela de custos ambientais evitados que se "ajeitou" a tarifa para dar o valor pretendido.
Desde o início que a parcela de custos ambientais tomou por referência o CO2 emitido por uma central de ciclo combinado a gás natural típica, mas o Decreto "fundador" de 1999, apesar de lhe atribuir o valor estrambólico de 74,8 €/ton. ( no mercado de "carbono" esse valor andava à época por 1/5 desse valor), não conseguiu adicionar mais que cerca de 2,77 ç/kWh às duas parcelas anteriores. A fórmula incluía ainda uma "compensação" pelas "perdas evitadas" nas redes, segundo o argumento de que a produção renovável é consumida na mesma zona onde é produzida e por isso evita as perdas no transporte pela rede e, conjugando a actualização da inflação, o valor resultante ficava (em 1999) pelos 5,65 ç/kWh, não excessivamente mais que o custo médio real de produção do kWh pelas centrais convencionais à época (perto de 5,0 ç/kWh). Porém, é claro que com tal valor nenhuma renovável era viável, e daí o "aperfeiçoamento" introduzido ano e meio depois pelo mesmo Governo (com a pontificação de dois novos Ministros: Braga da Cruz e José Sócrates).

O Decreto de 2001, com efeito, apenas adicionou à fórmula anterior um "coeficiente adimensional" arbitrário de reforço dos custos ambientais evitados, obviamente sem outra racionalidade que a pretensão de se obter um valor final "jeitoso". Assim, a parcela de 2,77 ç/kWh acima referida foi multiplicada por um "coeficiente" de 5/3, acrescentando 1,84 ç/kWh ao total já anteriormente somado e, com mais a "compensação pelas perdas evitadas" e a já mencionada "actualização" de 1,1 pela inflação desde 1998, no final de 2001 a tarifa para uma eólica típica estava em 8,19 ç/kWh - que, com a inflação verificada depois, atingiu em 2010 10,0 ç/kWh! E assim chegamos aos valores publicados pela ERSE para os últimos anos...
Este Decreto de 2001 diferenciou também, através do referido coeficiente arbitrário de multiplicação dos "custos ambientais evitados", as tarifas para as mini-hídricas e as fotovoltaicas, mas deixou de fora todas as outras (biomassa, biogás, etc) . E, para grande gáudio dos promotores de renováveis, eliminou o limite de 12 anos anteriormente previsto para a vigência da tarifa, que passou a eterna...!
Em Fevereiro de 2005 estava a tarifa da eólica típica em menção já com o valor de 9,0 ç/kWh, quando o Governo de Santana Lopes publicou nova legislação que a corrigiu, no Decreto-Lei nº 33/2005 de 16 de Fevereiro. Este Decreto foi detestado pelos promotores de renováveis por se justificar dizendo que "as medidas de promoção do aumento da produção de electricidade através de fontes renováveis não podem ser cegas à factura energética suportada pelos consumidores", e por ter introduzido as seguintes moderações na vaca leiteira que se criara:
  • A data de início de contagem do tempo para efeitos de actualização por inflação deixou de ser Dezembro de 1998 para passar a ser a do início de operação de cada nova central;
  • A parcela de "custos variáveis" evitados na tarifa subiu de 2,494 ç/kWh (na verdade, considerando a inflação na fórmula até aí praticada, 2,95 ç/kWh) para 3,60 ç/kWh, mas...
  • ... a parcela de "custos ambientais" evitados passou a considerar o verdadeiro preço de mercado da tonelada de CO2, 20 €/ton., e modificou os "coeficientes adimensionais" legislados em 2001, por um lado reduzindo para 7,36 ç/kWh a tarifa eólica total que já ia em 9,0 ç/kWh, como vimos, e por outro lado e pela primeira vez criando variantes que tornavam minimamente atractivas as renováveis das mini-hídricas, biomassa e biogás.
  • Foi proibida a acumulação de "incentivos" com os deste tarifário, nomeadamente o comércio de "certificados verdes", mas não ficando claro se isso também abrangia o recurso a fundos comunitários que tinham financiado até aí 20% das renováveis, e em muitos casos 40%.
  • Finalmente, este Decreto voltou a introduzir um limite de validade às tarifas oferecidas, 15 anos para uma eólica típica (com 25% de utilização anual) mas menos se ela tivesse uma utilização maior, o mesmo prazo para a maioria das outras renováveis e 12 anos para as fotovoltaicas típicas com utilização de 21%.
Este Decreto, porém, só se aplicava às instalações concessionadas após a data da sua publicação, embora limitasse a "apenas" mais 15 anos as chorudas condições do tarifário anterior. Em 2007, já com o actual Governo, a legislação anterior foi ainda retocada no sentido de aumentar as remunerações das renováveis de biomassa, biogás, ondas e sobretudo solar.
Entretanto, e dados os prazos de construção, as centrais que já obtiveram o licenciamento depois da promulgação do Decreto de 2005 só começaram a operar a partir de 2007, e é por isso que a inflexão no preço médio pago aos produtores só nesse ano começaria a estabilizar - além de que as concessionadas nos grandes concursos posteriores aceitaram descontos de 5%. Presentemente, pois, as tarifas pagas às eólicas típicas situam-se entre 10,0 e 7,0 ç/kWh, conforme a respectiva data de licenciamento. Os mais recentes custam relativamente menos mas, entretanto e dado o volume total da produção eólica, os custos adicionais de sistema começaram a subir exponencialmente, como a dissipação já ocorrida no Inverno passado e os projectos de construção de centrais de bombagem manifestam, assim como o disparo ocorrido nos investimentos nas redes da REN e de Alta Tensão na EDP!
Entretanto, convém recordar que sendo o custo de produção médio para investimentos actuais da ordem dos 7,0 ç/kWh para um prazo de amortização de 20 anos, é-o de 8,0 ç/kWh para prazos de 15 anos, mas os grandes pacotes concessionados pelo Governo de 1200 MW a 400 MW gozaram certamente de descontos de quantidade na aquisição das turbinas, assim como de ganhos de maturação na sua instalação e ligação à rede (que deverão ter reduzido aqueles custos de produção para uns 6,5 ç/kWh, com uma remuneração do investimento a 7.5% por 15 anos). Os projectos mais antigos, no entanto, gozaram em média de 20% de co-financiamento comunitário e de preços nas turbinas mais baixos, o que lhes trará em média os custos de produção para 5 ç/kWh, metade do que estarão a facturar...
Tudo ponderado e como estimei num post anterior, dos 720 a 750 milhões de € que custará este ano a produção energética de origem eólica (sem contar os custos adicionais de sistema), uns 200 milhões serão sobrecustos resultantes de proveitos concedidos acima da taxa de remuneração dos activos da REN e EDP. Compreende-se assim melhor a agressividade da reacção organizada que acolheu o Manifesto para uma Nova Política Energética...
Entretanto, vale a pena notar que a filosofia do tarifário português para as energias renováveis é muito semelhante à espanhola, embora esta tenha uma pequena parcela negociável em mercado e não invoque nenhumas falaciosas teorias sobre "custos evitados" para se justificar. Em Espanha, a tarifa definida em 2007 para as eólicas era de 7,32 ç/kWh por 20 anos (7,36 por 15 anos cá desde 2005), embora tivesse uma variação admitida, em função de parâmetros de qualidade técnica e comercial, entre 8,49 e 7,13. Já neste ano (2010) e certamente devido ao encarecimento do dinheiro para investimentos, essa tarifa foi actualizada para 7,75 ç/kWh (podendo variar entre 8,99 e 7,54). Como cá, as tarifas são actualizadas com a inflação.

Na Alemanha, pelo contrário, sendo o país que inventou este sistema de remuneração das tarifas, a respectiva filosofia foi estabelecida em 2000 no "Acto para as Fontes de Energia Renovável" e baseia-se na determinação "científica" dos respectivos custos de produção, assumindo uma taxa de remuneração de investimentos explicitamente igual aos 7-8% usuais na indústria. A Alemanha não permite, entretanto, o investimento em renováveis assim subsidiadas às empresas de electricidade tradicionais.
O tarifário alemão tem diversas características interessantes, manifestando a habitual racionalidade e competência técnica germânicas, mas as mais importantes são:
a) o seu período de validade é, em princípio, de apenas 5 anos, sofrendo depois uma redução acentuada que vigora nos anos seguintes;
b) A duração deste período de validade depende da qualidade do local e da utilização que este permite às turbinas; quanto pior o local,  mais longa a duração da remuneração inicial, por forma a manter os proveitos moderados mas garantidos - algo aproximado pela flexibilidade do prazo de 15 anos previsto cá pelo Decreto de 2005.
Em 2000, a tarifa de referência para locais de qualidade de referência (para os referidos primeiros 5 anos) era de 8,9 ç/kWh. Em 2004 era de 8,7 ç/kWh mas reduzindo-se para 5,5 ao fim de 5 anos; em 2007 era de 7,95 e, para 2009, foi elevada, como em Espanha, mas para 9,2 ç/kWh, provavelmente pelas mesmas razões (subida das taxas de juro), reduzindo-se para apenas 5.0 ç/kWh depois do referido prazo de 5 anos. Em condições de referência e ao longo dos 20 anos previstos de operação, a tarifa média é de 6,1 ç/kWh.
Um estudo de razoável qualidade do Instituto Fraunhofer (de 2004) compara os sistemas tarifários espanhol e alemão. A figura seguinte ilustra as consequências das diferenças que aquele estudo sublinha:

No sistema alemão, os lucros são as parcelas a laranja, enquanto no sistema ibérico, e sobretudo em Espanha desde o Decreto do Governo de Santana Lopes que limitou o prazo das nossas tarifas a 15 anos (20 anos em Espanha para tarifas semelhantes), os lucros são as parcelas a laranja + as a azul...
Como é evidente, o que o tarifário alemão garante é praticamente um lucro fixo para os produtores eólicos, independente do local de instalação; o benefício dos locais de melhores ventos vai para os consumidores.

E é nesta figura que melhor se exprime o "flavour" ibérico da ecotopia renovável...

quinta-feira, fevereiro 11, 2010

A ideologia ecotópica europeia que está por detrás de toda a nossa delirante política energética

O Rerum Natura prestou o relevante serviço público de postar a versão integral da entrevista do Professor Delgado Domingos ao jornal Público, no passado domingo.
Com a devida vénia ao Rerum Natura, e o meu respeito pelo Prof. Delgado Domingos, transcrevo aqui por inteiro a referida entrevista, dada a importância político-científica que lhe atribuo.


O fracasso e a humilhação da União Europeia em Copenhaga


O Público de 24.12.2009 publicou nas páginas centrais do suplemento P2 um esclarecedor artigo de Viriato Soromenho Marques (VSM) intitulado “De Copenhaga rumo ao México a União Europeia pode fazer a diferença”. O desfecho da conferência de Copenhaga era previsível pelos motivos que indiquei (J.Negócios 3.11.2009, Expresso Online 30.11.2009). Os que sempre vangloriaram a liderança da UE na questão das alterações climáticas confrontam-se agora com o facto de o acordo de que a COP15 tomou conhecimento em Copenhaga ter sido sobretudo uma humilhação para a UE, pois a realidade virtual que criou e liderou não lhe deu sequer acesso à mesa onde o acordo foi negociado.


Rumo ao México, a UE pode fazer efectivamente a diferença se capitalizar no que de pioneiro e muito relevante trouxe para a sustentabilidade ambiental e sobretudo energética, e na ajuda aos países mais pobres. Para isso, tem de reconhecer que a sensibilização/mobilização pública conseguida com o alarmismo climático está esgotada e é contraproducente. Esse alarmismo, baseado num pseudo-consenso científico, levou à defesa de cortes nas emissões de CO2, impossíveis de realizar sem devastadoras consequências económicas e sociais. Efectivamente, e segundo VSM, “num impressionante estudo que procura aliar ciência dura e diplomacia, o Conselho Federal Alemão para a Mudança Global (WBGU), dirigido pelo eminente físico Hans Joachim Schellnhuber“ (que se propunha ser o guião para as negociações em Copenhaga), concluía-se que, até 2015-2020, o consumo de combustíveis fósseis teria de estabilizar para vir a desaparecer dentro de 40 anos. Portugal, p. ex., teria de reduzir cerca de 7 vezes o seu consumo actual de combustíveis fósseis até 2050 e para a maioria dos países desenvolvidos esse consumo per capita teria de regredir para valores próximos do primeiro quartel do século XX. Tendo em conta que as energias fósseis constituem o maior sector da economia mundial (de que representam cerca de 8%), o seu desaparecimento em 3 ou 4 décadas, para ser substituído por energias renováveis, mesmo admitindo que era financeiramente viável, seria fisicamente impossível, tendo meramente em conta o tempo necessário para a concretização de soluções tecnológicas já conhecidas. Por este, entre outros motivos, o acordo legalmente vinculativo defendido pela UE/ONU e a maioria das ONGs não poderia ser cumprido. E quem o quisesse honestamente cumprir, não o poderia assinar. Não admira, por isso, que a UE nem sequer tenha sido convidada a participar na negociação do documento que posteriormente subscreveu.


Mas será que tal acordo significou mesmo a “incapacidade da comunidade internacional (...) prevenir a primeira mudança da estrutura ecológica e ontológica do Planeta causada pela acção humana” como afirma VSM? Não me parece, porque o pilar fundamental deste tipo de argumentação é uma grosseira adulteração das implicações do conhecimento científico fundamental e básico (*), em torno do qual o consenso é inequívoco.


“Fazer batota com as leis da física ...”


Alterações Climáticas e Aquecimento Global foram vulgarizados como sinónimos, e o passo seguinte foi atribuir erradamente o aquecimento global (quase exclusivamente) às emissões de CO2eq. Invocou-se, para isso, um difuso consenso científico, no qual nunca ficou claro a que fenómenos ou leis físicas se referia. Existe, efectivamente, há décadas, indiscutível consenso científico quanto ao facto de o CO2 ter um efeito de estufa e de o vapor de água ter um efeito de estufa muito maior. Mas tal consenso não existe quanto à relação quantitativa entre o aumento da concentração CO2eq na atmosfera e a elevação da temperatura média global do ar junto à superfície (ETMGAJS). Segundo o próprio relatório cientifico do IPCC, considerado como referência fundamental, (ARA4WG1,p. 114), a ETMGAJS devida a uma duplicação da concentração em CO2 na atmosfera tanto poderia ser de 1,9ºC como de 5.9ºC (dependendo do modo como se considera o efeito das nuvens). Na relação habitualmente considerada (*) a ETMGAJS é proporcional ao logaritmo da concentração da atmosfera em CO2. A constante de proporcionalidade, a chamada sensibilidade climática, varia entre ~2 e 4,5 e em relação a ela o IPCC afirma(ARA4WG1, p. 640) que:


a set of model metrics that might be used to narrow the range of plausible climate change feedbacks and climate sensitivity has yet to be developed


Ou seja, o próprio IPCC reconhece que não se sabe qual o valor a escolher para a sensibilidade climática. O IPCC não sabe mas os proponentes de cortes radicais, como os referidos, actuam como se soubessem. Para isso, partem das conclusões que querem obter e escolhem o valor da sensibilidade climática que mais lhes convêm, não se coibindo sequer de invocar um suposto consenso, ou mesmo de citar o IPCC, se for conveniente. A verdade é que, por exemplo, o IPCC nunca recomendou 2ºC como aumento de temperatura a não exceder, tal como nunca recomendou um limite de emissões para o conseguir. Um e outros valores são decisões políticas (não científicas!) da UE.


Em resumo: a argumentação da UE tem por base uma batota com as leis da Física. Uma batota que consiste em apresentar (como consequência de leis físicas fundamentais) uma relação quantificada entre emissões de CO2eq e aumento de temperatura média, que só pode ser obtida com grosseiras simplificações e factores numéricos politicamente escolhidos (*)!


O limite dos 2ºC e os modelos climáticos


O acordo em Copenhaga fixou em 2ºC o aumento de temperatura média a não ultrapassar. Esse valor justifica-se, nomeadamente, porque um aumento de 2ºC se teria verificado durante o chamado período quente medieval sem que tivesse ocorrido qualquer desastre climático. Aliás, muitos dos indícios indirectos que hoje se invocam para defender que existe aquecimento (antecipação das florações na Primavera, migrações de fauna e flora, etc) são a réplica do que a História nos diz ter existido naquele período. Foi também durante este período que os vikings colonizaram a Groenlândia (“Greenland” =Terra Verde).


Não associar um aumento da temperatura de 2ºC a um aumento quantificado de emissões de CO2eq, é uma decisão aceitável, tendo em conta os dados das observações existentes. De facto, aceitando como válidos os valores de referência utilizados pelo IPCC, houve um aquecimento médio global nos últimos 150 anos que não ultrapassou os 0.8ºC. Houve um aquecimento entre ~1900 e ~1945, seguido de arrefecimento entre ~1945 e ~1975. E voltou a aquecer entre ~1975 e ~1988. Desde 1998 não há aquecimento. As taxas de aumento de temperatura por década foram maiores nos períodos antes de 1945 do que depois de 1975. Durante todo este período, a concentração de CO2eq na atmosfera nunca parou de aumentar. A relação directa e quantificada entre CO2eq e aumento de temperatura (utilizada pelos alarmistas) não é validada pelas observações. Para o ser, deveria ser capaz (e não é) de reproduzir a evolução das temperaturas, em cada uma de 2 ou 3 décadas, adoptando a mesma sensibilidade climática. Se os modelos climáticos actuais não conseguem sequer reproduzir, de modo aceitável, a evolução verificada nos últimos 50 anos, a única conclusão a extrair é a de que tais modelos são inadequados para prever alterações climáticas com décadas de antecedência, mesmo em termos de probabilidades fiáveis. Utilizá-los como único fundamento de políticas ou acordos internacionais legalmente vinculativos é, no mínimo, um contra-senso.


Conclusão


Ninguém pode seriamente negar a existência de um aquecimento global nos últimos 150 anos. Mas esse aquecimento não ultrapassou 0.8ºC e não se pode garantir, com fundamento sólido, qual a evolução futura. Embora haja fenómenos climáticos que se podem associar ao aquecimento, atribuir tudo ao aumento da concertação de CO2eq na atmosfera é um absurdo. É muito mais honesto reconhecer que se não conhecem todas as causas do que inventar as fantasias catastróficas de que a comunicação social e algumas ONGs tanto gostam, mas que só levam ao descrédito.


Se a UE quer, de facto, liderar, tem de dar o exemplo de uma fundamentação científica das suas propostas sem contaminações políticas (que deram o climagate), e de medidas exigentes, exequíveis e verificáveis. Se está de facto preocupada com as alterações climáticas de origem humana (e deve estar) não precisa de invocar os resultados pouco fiáveis dos modelos climáticos actuais para actuar em profundidade na reforma do seu sistema energético, porque tal reforma é exigida pela competitividade económica e pela sua dependência de fontes de energia inseguras e insustentáveis. Se está de facto preocupada, deve acabar com a hipocrisia do mercado do carbono e da contabilidade de Quioto e substituí-la pelos instrumentos regulatórios e fiscais de que tem grande experiência. Grande parte da lista do que pode e deve fazer já foi enunciado/iniciado a pretexto de aquecimento global. Manter o que se justifica por si próprio, sem ter de recorrer à ameaça de catástrofes climáticas é o pequeno grande passo que a UE tem de dar para recuperar a credibilidade perdida e uma liderança real.


(*) http://jddomingos.ist.utl.pt


(**) Referimo-nos à Elevação da Temperatura Média Global do Ar Junto à Superfície( ETMAJS) quando se diz, por simplicidade, “aquecimento global” , “elevação da temperatura média” “ou aumento da temperatura”

sábado, dezembro 26, 2009

A História a passar ao largo de Portugal, novamente.

Parece que, por fim, a preciosa liberdade de pensamento da democracia se faz sentir e o Expresso dá voz a uma posição realista e sensata sobre o problema climático: entrevista Bjor Lomborg.
Lomborg não nega o aquecimento global nem a sua origem antropogénica. O que faz é desdramatizá-lo, face aos muitos outros problemas com que a Humanidade no seu conjunto se defronta, e critica as políticas ecotópicas que pretendem lidar com o problema construindo um Admirável Mundo Novo, notando, nomeadamente, a necessidade de investir muito mais em Investigação e Desenvolvimento (I&D), e não tanto em políticas de corte das emissões.

Esta última questão, a da necessidade investigar soluções tecnológicas que ainda não existem, tem sido algo que tenho procurado mostrar com alguns casos concretos, como o da energia solar fotovoltaica e o do automóvel eléctrico e respectivas baterias. Para já não falar de outras componentes que nem se sabe se alguma vez existirão (a custos razoáveis), como o dos meios de armazenamento de energia necessários para regularizar a intermitência das fontes de energia renovável.
Uma política energética de corte de emissões de CO2 que tenha em conta estas realidades científicas e que seja guiada pela sensatez, isto é, pela preocupação em não esmagar os povos com custos exorbitantes, foi a estudada pelo EPRI norte-americano e que já aqui referi, e que aponta para a necessidade de apostar no nuclear a curto prazo, e na captura e sequestro do carbono das centrais a carvão a médio prazo.
Mas, mesmo tal política energética apenas resolverá 1/5 do problema global das emissões de Gases de Efeito de Estufa. Há toda uma indústria pesada que terá de ser reformulada nos seus processos energéticos e há os problemas do mau uso dos solos, do tratamento dos lixos e sobretudo o da desflorestação (esta responsável, só por si, por tantas emissões como a produção de energia eléctrica). Ora resolver esta parte do problema requer a colaboração de todos os povos pobres, e não se vê como tal seja possível sem um Império mundial.
Os povos de África, da Indonésia ou do Brasil que queimam as florestas não o fazem por serem pirómanos. Fazem-no porque desde sempre a conquista de terreno arável e habitável à floresta foi vista como uma coisa boa, exigida pelo mero crescimento demográfrico. A Humanidade, com efeito, tende simplesmente a ocupar todos os bocadinhos de terreno do planeta que possam ser habitáveis...
Ora como impedir tal coisa? Pagando? Pagando para que esses povos abandonem o seu modo de vida tradicional e de repente se industrializem e vivam em cidades limpas? Pagando para que as monstruosas favelas em que vivem, quando vivem em cidades, se transformem em bairros limpos como os de Copenhaga? Mas têm os ecotópicos nocão da escala que isso comporta? E do que desejam de facto essas populações? Não é por acaso que Hollywood deu este ano o Óscar de melhor filme a uma produção estrangeira, "slumdog millionaire" - de facto, poucos filmes nos mostram tão bem como este o que são, como vivem e o que desejam, os povos cujo desenvolvimento tanto assusta os ecotópicos...
É evidente que não há nenhuma política de subsídios que possa impedir sustentavelmente esses povos de se multiplicarem e desenvolverem. É uma realidade incontornável. E se com ela, se com o crescimento explosivo da população humana que o próprio sucesso da modernidade trouxe, o clima for alterado, não se vê que tal possa ser impedido a não ser com um Império mundial, eventualmente alicerçado na ONU, e que use, como sempre sucedeu na História, a guerra e a violência para se impor onde tal for necessário.
A única razão porque isso não vai acontecer é porque a Europa, a grande preocupada com isto, já não está, e estará cada vez menos à medida que o tempo passe, em condições de impor a sua antiga ordem colonial. E por isso toda a causa ecotópica não passa de um devaneio espúrio que usa slogans de estilo maoísta como o dos 20-20-20 (20% de redução de consumos, 20% de energia renovável, para 2020) e que de vez em quando sofre um duche frio de realidade, como aconteceu agora em Copenhaga.
Existe outra proposta imperial para o problema: Bernardino Soares, do PCP, alvitrou-a há dias num debate na SIC sobre Copenhaga: "É preciso mudar a ordem económica", disse. Acabar com a busca do lucro, presume-se, que será a fonte de todos os males e irracionalidades que afectam a Humanidade actual, e substituí-la por uma nova ordem, uma ordem guiada pela busca do bem comum protagonizado pela vanguarda histórica. Não pude deixar de me lembrar dos navios a seco no Mar de Aral que a antiga URSS matou, ou da tremenda ineficiência poluidora da sua indústria pesada. Mas compreende-se como a causa verde pode ter a convergência da actualmente despatriada causa vermelha: ambas querem um Mundo que nada tem a ver com a realidade existente, e ambas têm uma visão do Homem que não é a da Humanidade que existe. Mas ambas têm também uma falta semelhante: falta da força para forçar o advento desses amanhãs que cantam! Daquela força que, segundo um velho pensador, é "a parteira da História"...
Na falta de um Império que estabeleça a ordem mundial ambicionada pelos ecotópicos, a vida continuará a decorrer como sempre e o que vai mudar são os mercados de equipamentos, cheios de novas oportunidades para quem tiver unhas que toquem guitarras produtivas - ou seja, a China, a Índia, a Coreia, o Japão - a Ásia, em suma - e a Alemanha, a Dinamarca, a França (com as suas nucleares) e talvez até a Espanha! Quanto aos EUA, estão com um sarilho que talvez custe as próximas eleições ao Presidente Obama!...

E que acontece entretanto na Lusitânia?
O períódico que é talvez a melhor referência do jornalismo nacional anuncia em grandes parangonas que mais uma vez um português inventou a pólvora, revolucionando a partir de uma ideia que teve na Lourinhã o mundo da energia eólica, e a notícia bate o record de leituras on-line! Tamanha ignorância sobre tudo o que já foi investigado lá fora e que cá se desconhece sobre tecnologia de turbinas eólicas, a par de uma prosápia patrioteira patética, só tem par na notícia oficial segundo a qual Portugal aqueceu mais nos últimos anos que o resto do Mundo e na forma como o Primeiro-Ministro explicou que Portugal vai resolver o problema do seu desenvolvimento económico: investindo nas energias renováveis para garantir a independência energética nacional e nomeadamente do petróleo!...  Como se petróleo e energias renováveis tivessem alguma coisa a ver um com as outras!!!...
Mais uma vez, a História está a passar ao largo de Portugal.

domingo, dezembro 20, 2009

Copenhaga: um banho de realidade!

Há 18 dias escrevi aqui um post em que afirmava que "a China, com os EUA, será quem determinará o futuro do tratado climático", e também que "o que a China propóe para Copenhaga será o que a Índia, o Brasil, e todos os países que ambicionam sair da miséria e serem grandes potências adoptarão: reduzir a "intensidade do CO2 da sua economia" desde que nada limite o crescimento desta". E notava ainda que a Europa dos 27, que já só tem 1/12 da população mundial, terá em 2050, data-alvo das negociações, apenas 1/18 dessa população...
Pois o acordo aí está a confirmar o que escrevi e que era óbvio a quem conseguisse ver através da mistificadora propaganda com que o pensamento único de Bruxelas nos intoxica diariamente: "acordo vago e sem ambição acaba com liderança da UE", escreve o Expresso. Ora essa liderança só existia na cabeça iluminada pela causa da salvação do Mundo dos ecotópicos europeus, como os números da demografia e da economia incontornavelmente demonstram, e sobretudo os números das suas derivadas (ou, em linguagem não-matemática, dos seus ritmos de crescimento). Iluminação que, parece, acometia o nosso Presidente europeu e o nosso Primeiro Ministro...
Os EUA lideraram, de facto, um acordo para 2050. No sentido em que se entenderam com quem, de facto, será relevante neste mundo em 2050. E a Europa, que acolheu o oportunismo de países como o Sudão, que genocida as suas populações do Sul e que se queixa de que eles e os outros países pobres só emitem 3% dos Gases (repetindo a conversa da extrema-esquerda ocidental que esquece que os próprios relatórios da ONU contabilizam em de 40 a 50% a contribuição da desflorestação e maus usos do solo desses países para o Aquecimento Global), essa Europa será quem pagará 45% dos fundos de "ajuda" aos países pobres. O Japão pagará outros 45% e os EUA... 5%!
É que estas coisas nos EUA discutem-se a sério, e ai da Presidência americana se tivesse alinhado em semelhante conversa por cá, que nunca mais teria hipótese de aprovar alguma coisa no Senado!
Paises pobres que queriam a garantia da continuação de Quioto. E porquê? Porque Quioto não lhes exige nada e garante uma renda em "ajuda" que, em muitos desses países e como se sabe, vem a acabar em contas numeradas na Suiça e off-shores de variada localização!
Não, nem americanos, nem chineses (que entretanto tentaram aumentar a sua influência sobre esses países), nem indianos, vão em tal coisa.
E, basicamente, o que os EUA fizeram foi neutralizar a tentativa chinesa de liderar o 3º Mundo na sua reivindicação "anti-imperialista" (uma orientação que já vem de Mao Tsetung) enquanto, ao mesmo tempo, trabalhavam uma aliança com a África do Sul, único país que geopoliticamente interessa na África sub-sahariana e a longo prazo.
Brilhante!
Isto, politicamente.
Quanto ao Aquecimento global... logo se vê! Vai-se fazer o melhor possível, entretanto.
Quanto a Portugal: bem, a realidade de estarmos na senda da Grécia também se vai impondo de forma crescente dia a dia. Vejamos o que acontece à Grécia, porque a seguir seremos nós.

quarta-feira, dezembro 02, 2009

Aquecimento Global? É a economia, estúpido!...

Como habitualmente de cada vez que falo em "clima", recebi um conjunto inflamado de comentários ao meu post anterior - uns, indignados com a persistência dos "negacionistas" na blogosfera (último reduto que lhes resta no "Admirável Mundo Novo" que consideram estar paulatinamente a criar-se), outros clamando contra as "trapaças" dos advogados da antropogenia do Aquecimento Global.
Entretanto, um interessante artigo de um editor da Scientific American coloca a questão dos emails revelados ao público numa perspectiva apaziguadora: mais do que factos ou mentiras científicas, eles revelam a agudeza da luta ideológica que se trava entre cientistas nesta matéria. É que se a ilicitude com que foram obtidos os emails não os desmente, também é verdade que os próprios emails não desmentem só por si o essencial dos factos que fundamentam a convicção dos defensores do Aquecimento global antropogénico.
Subsiste apenas o "pequeno" mistério de por que razão a temperatura do globo estacionou na última década e nenhum modelo climático antropogénico consegue explicar isso, como os emails revelados confirmam...
O certo é que, independentemente de assentar numa base científica sólida ou de, pelo contrário, ter por premissa um dos maiores mitos científicos da História (e valha-nos no IST a voz livre e crítica do Prof. Delgado Domingos para se indignar), o 1º Mundo caminha de forma quase consensual para um tratado limitador das emissões de CO2.
Nas últimas semanas foram a Austrália, a Nova Zelândia e a Califórnia (a 8ª economia mundial) que adoptaram metas redutoras das emissões de CO2. É também quase certo que os EUA acabarão por adoptar medidas nesta matéria, e até o Presidente Lula já manifestou a intenção do Brasil aderir ao tratado em preparação (apesar da consciência recente de ser uma potência petrolífera lhe moderar o ecologismo), depois de também o novo governo do Japão ter assumido objectivos ambiciosos no assunto.

Entretanto, tanto a Índia como a China, os colossos asiáticos cujo rápido desenvolvimento económico mais assusta os climatologistas, têm adoptado uma posição ambígua.
Por um lado, oficialmente arrastam os pés para qualquer compromisso mas, ao mesmo tempo, no plano interno desde os anos 90 que têm estado a apostar furiosamente no desenvolvimento das indústrias e know-how que hão-de explorar os mercados emergentes das tecnologias "verdes", como descrevi aqui a propósito das eólicas e aflorei aqui, no que respeita ao solar, relativamente à China.
China que, com os EUA, são de facto quem determinará o futuro do tratado climático e das alterações económicas decorrentes.

E isto traz-nos perante a seguinte constatação: o Aquecimento Global de origem antropogénica, do ponto de vista científico poderá ser discutível e ainda incerto mas, do ponto de vista económico, é garantido, enquanto promotor de grandes alterações tecnológicas e correspondentes indústrias e mercados. E, uma vez obtido um Tratado nesta matéria, o que se vier finalmente a comprovar cientificamente sobre o Aquecimento global, talvez daqui a uns 20 anos, será irrelevante!...

Podemos mesmo ser até um pouco cínicos e conjecturar que tudo isto não passa da criação de uma onda de necessidades artificiais visando reanimar a economia de consumo, sobretudo agora que ela caiu em recessão e que é conveniente seguir os ensinamentos de Schumpeter, criando novas necessidades que propiciem novos mercados para novos produtos, uma promoção de consumo similar à que cada 4 anos lança novos modelos de carros apesar dos que temos durarem bem 16, novas colecções de vestuário de estação todos os anos, o buraco do ozono que levou a substituir todos os frigoríficos ou a necessidade de revitalizar a indústria de lâmpadas, eliminando as incandescentes.
A única diferença nesta lógica já velha da sociedade de consumo (e que a minha geração muito criticava por alturas do Maio de 68), é que o mercado assim revitalizado não é, principalmente, o dos bens de consumo mas, e pela primeira vez,... o dos bens de equipamento!

Perante estes factos (dúvidas quanto ao fundamento das alterações industriais a realizar, mas certeza quanto a essa realização), que estratégia tecnológica deverá um país sensato adoptar?

Parece-me que a resposta é clara: quanto à adopção de medidas internas mitigadoras das emissões de CO2, deverá arrastar os pés e procurar ir no meio do pelotão (ou mesmo nas últimas posições) mas, quanto à promoção das novas tecnologias e indústrias associadas a essa mitigação, deverá apostar em força, com vista à exploração das oportunidades de mercado que os países campeões da "verdura" constituem. E esta estratégia é válida quer a antropogenia do Aquecimento Global se venha a confirmar, quer não!

É evidente que, mais que qualquer outro país, é esta posição que está a ser adoptada pela China. China que, curiosamente, é um dos raros países que ainda é politicamente dirigido por uma "ideologia científica" mas que, no plano prático, se revela imune ao pós-modernismo e mantém os pés na terra dos interesses nacionais.
De facto, a China constitui um caso extremo de aposta nos mercados externos de energias renováveis com o mínimo de despesa interna na mitigação das próprias emissões, mas até ela investe na transformação industrial necessária a essa mitigação: constrói presentemente as centrais a carvão mais eficientes do mundo, instala parques eólicos em quantidade, vai montar na Mongólia interior o maior parque solar do Mundo, solar de cujos painéis entretanto assegurou a hegemonia industrial, e vai instalar metade de todas as novas centrais nucleares previstas no planeta. Na verdade, tal investimento interno é necessário como suporte a uma estratégia exportadora e além disso fica bem na "fotografia", tema a que adiante voltarei.
Ora, o que a China propõe para Copenhague será, decerto, a bottom line que a Índia, o Brasil e todos os países que ambicionam sair da miséria e serem grandes potências adoptarão: reduzir a "intensidade de CO2" da sua economia, desde que nada limite o crescimento desta!

[E a propósito de Aquecimento Global: sabem que o Brasil já tem 193 milhões de habitantes, mas que em 1900 só tinha 17 (na figura, o seu crescimento populacional)? Que a China já tem 1320 milhões (19.9% da Humanidade), mas que há 60 anos só tinha 563? Que os EUA já têm 308 milhões mas só tinham 200 há 40 anos, e que igualarão a envelhecida população da Europa das 27 nações, 500 milhões, em 2050? Europa que há um século tinha 1/4 da população mundial, hoje já só tem 1/12 e em 2050 terá apenas 1/18?...]

Face a este cenário, que estratégia tecnológica e científica deve Portugal adoptar?

Naturalmente, uma resposta a tal pergunta só pode ser política. Por isso, e que me perdoem os colegas do IST que prefeririam ler-me matérias estritamente científicas (os "engenheiros dos bits", como lhes chamava - sem ofensa! - um grande engenheiro com vocação comercial que tive por colaborador na EFACEC...), vou expor um par de reflexões sobre a problemática que dá (ou não) sentido à I&D que fazemos.

Em primeiro lugar, e como já detalhei a propósito da História da indústria de turbinas eólicas e venho repetidamente notando aqui, Portugal foi o único país que apostou em força nas energias renováveis... apenas como consumidor! As pioneiras Dinamarca e Alemanha, que lideram a produção e a tecnologia mundial de eólicas, há mais de 70 anos que desenvolvem o seu know-how no assunto, e mesmo a Espanha o começou a fazer há mais de 30 anos!
Quando esses países resolveram apostar nas renováveis há quase duas décadas, com políticas de subsidiação às tarifas, estavam de facto a subsidiar indústrias nacionais de forte vocação exportadora e capacidade empregadora, e não a endividarem-se para salvar a atmosfera do planeta como nós - além de terem dos melhores ventos da Europa, ao contrário de Portugal!
Mais clara ainda tem sido a mais recente política industrial chinesa seguida na medida do possível pela Índia, e só os EUA estão agora a deixar abrir os seus mercados à produção estrangeira, aliás com a oposição dos sindicatos, mas isso nos EUA é uma tradição permitida pela força do dólar - além do grande peso que os EUA têm nas emissões de CO2!...
E porque apostaram a Alemanha, a Dinamarca, e até antes destas, nos anos 30, a França, a URSS, os EUA e o Reino Unido no desenvolvimento da tecnologia eólica? Preocupações ambientais? Não - iniciativa industrial e preocupações geo-estratégicas!
O caso alemão é o mais paradigmático, já que foi em 1942, em plena Guerra Mundial e com uma fatal penúria de petróleo para os seus carros e aviões de combate que, como já narrei aqui, o austríaco Ulrich Ütter estabeleceu as bases da tecnologia essencial das turbinas eólicas na sua tese de Mestrado (tese à moda antiga, não como as de Bolonha). Tecnologia que depois os EUA tentaram infrutiferamente copiar nos anos 70, e que voltaria a renascer na Alemanha, nos finais dos anos 80, aproveitando várias circunstâncias favoráveis e nomeadamente o desemprego de engenheiros altamente qualificados na indústria naval em crise.
Na Dinamarca, cuja empresas Vestas domina largamente o mercado mundial destas turbinas, emprega 30 mil trabalhadores qualificados (num país com metade da população de Portugal) e exporta anualmente 4 biliões (!) de €, a tradição de fabrico de aerogeradores é tão antiga que já os faziam no início do século XX para alimentar pequenas comunidades, como nós por cá fazíamos com mini-hídricas. Naturalmente, isso era propiciado pelos excelentes ventos existentes no mar do norte. Com uma tradição tecnológica diferente da alemã, "Danish wind power development stressed incremental improvements in capacity and efficiency based on extensive serial production of turbines, in contrast with development models requiring extensive steps in unit size based primarily on theoretical extrapolation". Mas, tanto a Alemanha como a Dinamarca chegaram ao domínio que hoje têm nestas tecnologias graças a um factor determinante: experiência! Experiência e de muitas décadas!...
A Espanha iniciou-se na tecnologia eólica quando nós por cá estávamos a sair do PREC, em 1976, e mesmo os newcomers mais recentes, como a China e a Índia, começaram há mais de 12 anos e com toda a capacidade dos seus imensos recursos humanos!

Ora a estratégia de Portugal nesta matéria tem sido a de simples comprador. Estas novas tecnologias passam-nos pelas mãos apenas quando lhes importamos os frutos. Indústria para as fabricar só será possível ou se o Estado apostar aqui as suas "parcerias público-privadas" ou se vier por investimento estrangeiro.
Investimento estrangeiro em fábricas de componentes de tecnologias destas significa que é o estrangeiro quem tem os serviços essenciais que viabilizam qualquer indústria moderna: a concepção a montante, e a comercialização a jusante. Pelo que o investimento estrangeiro em Portugal nestas coisas, como na Quimonda e até na Auto-Europa (ainda assim com bastante trabalho nosso incorporado), cria tanta sustentabilidade económica em Portugal como as fábricas nos países estrangeiros para onde a nossa população tem por tradição emigrar (e de onde são deslocadas para onde for mais competitivo).

Quanto às "parcerias público-privadas" esta minha menção não passa de pura especulação, claro.
O Estado poderia ter usado o poder que as golden share lhes dá nas grandes empresas públicas para catalizar a ligação entre os restos de indústria fabricante que ainda temos e as Universidades. Mas para isso era preciso que alguém com poder de decisão nesses planos tivesse alguma ideia de como se cria know-how tecnológico industrial e que, sobretudo,  estivesse realmente interessado em criar riqueza nacional sustentável com todo o incontornável longo tempo que isso exige, e não em apresentar resultados mediáticos imediatos para efeitos eleitorais - e, de caminho, ir fazendo meras negociatas de ocasião à custa de endividamento externo e de subsídios públicos, directos ou e sobretudo "desorçamentados".
Além de tal plano, seria preciso um segundo factor essencial: um mercado nacional protegido que escoasse os produtos nacionais assim desenvolvidos e lhes fornecesse o laboratório de ensaios necessário à aprendizagem e ao aperfeiçoamento, e que lhe pagasse os custos fixos de fabrico - sobretudo os custos da engenharia de concepção. É isso que todos fazem lá fora e que se chegou a fazer cá nos anos 80, com a EFACEC. Um produto cujos custos fixos é pago pelo respectivo mercado nacional - e há muitas formas de forjar proteccionismos, mesmo num Mercado único europeu, sobretudo através de normas técnicas e de cadernos de encargos à medida - pode depois exportar-se a custos variáveis apenas!
Esta "criação" artificial de um mercado interno nacional para produtos em fase de desenvolvimento tecnológico tem também um valor promocional para os mercados-alvo, e é isso precisamente que explica parcialmente as estratégias de subsidiação pública das energias renováveis na Alemanha, Dinamarca e Espanha, e que as explica totalmente na China! Uma das melhores provas do que afirmo é o facto da Alemanha e da Espanha terem abruptamente cortado nessa subsidiação já em Maio de este ano, quando se verificou que eram os produtos chineses que estavam a ocupar esses mercados, especialmente quanto ao solar fotovoltaico - e como foi expressamente reconhecido por fabricantes alemães e hyperlinkei noutro post.
Mas não é essa estratégia que existiu em Portugal: o mercado nacional foi saturado por produtos estrangeiros e já nunca poderá constituir o referido laboratório, as tecnologias em que havia know-how  nacional tradicional deixaram-se morrer (como nas hídricas) e aquelas em que o Estado havia apostado, também (como na energia nuclear) e, por isso, vou ser franco convosco: estou dolorosamente de acordo com a análise que António Barreto faz nesta entrevista que deu recentemente ao jornal "i"!
Só nos resta esperar que os ordenados nacionais desçam tanto que venha a valer a pena aos investidores estrangeiros virem cá fabricar e dar-nos emprego, em vez de irem para a Eslováquia ou a Letónia. Ou, muito mais provavelmente e como acontece noutras paragens, que seja a nossa população que se vá indo embora, trabalhar para lá.
Uma coisa é certa: nunca e em parte alguma foram as Universidades o motor da evolução tecnológica, e não me venham com o exemplo do Sillicon Valley! I&D tecnológica académica sem indústrias a orientá-la é apenas brincar à tecnologia sustentado pelo pai-Estado.