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terça-feira, setembro 04, 2012

O gás de xisto e o petróleo offshore de Portugal

Há muito tempo que o silêncio sobre a política nacional quanto às identificadas reservas de gás de xisto na região de Alcobaça, e à possível existência de petróleo offshore na nossa zona marítima, é ensurdecedor.
 Agora, finalmente, soube-se de um plano da GALP para a exploração desses recursos, em parceria com uma empresa americana.
Que acordos existirão quanto ao futuro, não é claro. Porém, para que não se venha a criar um qualquer "sistema angolano" caso tais recursos se revelem milagrosos, recordo aqui os 10 mandamentos da Noruega para a exploração do seu petróleo, aprovados no respectivo Parlamento em 1972, quando já era clara a dimensão dos recursos ali descobertos no fim dos anos 60:

1. National supervision and control must be ensured for all operations on the NCS (Norwegian Continental Shelf).
2. Petroleum discoveries must be exploited in a way which makes Norway as independent as possible of others for its supplies of crude oil.
3. New industry will be developed on the basis of petroleum.
4. The development of an oil industry must take necessary account of existing industrial activities and the protection of nature and the environment.
5. Flaring of exploitable gas on the NCS must not be accepted except during brief periods of testing.
6. Petroleum from the NCS must as a general rule be landed in Norway, except in those cases where socio-political considerations dictate a different solution.
7. The state must become involved at all appropriate levels and contribute to a coordination of Norwegian interests in Norway’s petroleum industry as well as the creation of an integrated oil community which sets its sights both nationally and internationally.
8. A state oil company will be established which can look after the government’s commercial interests and pursue appropriate collaboration with domestic and foreign oil interests.
9. A pattern of activities must be selected north of the 62nd parallel which reflects the special socio-political conditions prevailing in that part of the country.
10. Large Norwegian petroleum discoveries could present new tasks for Norway’s foreign policy.

Presentemente, o petróleo gera 1/4 do PIB norueguês, metade das receitas do Estado, e emprega 200 mil noruegueses (numa população de 5 milhões). Financia o welfare do país e fundos de investimento que são economias para o futuro, mas a Noruega sabe que o petróleo um dia acabará e espera substituí-lo pela piscicultura (a exportação de peixe rende-lhe uns 6,5 bis - milhares de milhões de € - por ano, numa tradição que remonta à Liga Hanseática).
É de notar que a Noruega é líder tecnológico na exploração petrolífera offshore, exportando equipamento para esse uso e tendo desenvolvido notáveis criações de engenharia. Quando digo "líder tecnológico", quero dizer que produz e exporta tecnologia, e não que a compra e importa, como por cá vulgarmente se mistifica quando se fala em "liderança tecnológica"...

quinta-feira, abril 28, 2011

Electricidade a petróleo em Portugal

Como é sabido, uma das vigarices mais insistentemente repetidas pelos promotores da energia eólica, é que o investimento na mesma poupa ao país importações de petróleo.
Conhecendo há muito tempo como é gerada a electricidade em Portugal, essa é das barbaridades que me deixa desaustinado! Confesso mesmo que foi uma questão decisiva para eu ter iniciado o meu blogue, em 2009!...
No entanto, essa mentira é tão repetida, que há muita gente que a interiorizou, e que chega mesmo a duvidar do contrário. E perguntam alguns pelas centrais do Carregado e de Setúbal, ao que lá temos que explicar que o Carregado há anos que foi reconvertido a gás natural (ciclo combinado) e que Setúbal também há anos que raramente funciona.
Na verdade, o abandono do petróleo para a produção de electricidade é algo que foi consensualmente decidido praticamente em todo o Mundo depois do choque petrolífero de 1973, há já quase 40 anos! Universalmente, a solução foi a mudança para o carvão (alguns para o nuclear, como a França e a Alemanha), e desde os anos 80-90 é o carvão que é a base da geração termoeléctrica mundial, e não o petróleo! Incluindo em Portugal, com as grandes centrais de base de Sines e depois do Pego, perto de Abrantes...
E se o carvão entrou em desgraça a partir de 1990, foi por causa de Kioto e da necessidade de redução das emissões de CO2 o que, como já expliquei sobejamente, está na origem do renascimento mundial da energia nuclear - para substituir o carvão como este substituíra o petróleo.
E no entanto, os que querem teimosamente associar na mente pública o alto custo do investimento na energia eólica com o petróleo não desistem...
Acontece que recentemente me dei conta que, no mix de fontes de electricidade em Portugal, constam duas pequenas parcelas que efectivamente comportam derivados de petróleo mas que em regra passam desapercebidos.
A primeira parcela é a geração eléctrica nos Açores e na Madeira. Nos Açores, numa produção anual de 0,85 GWh, a componente a fuel e gasóleo é de 72%, 0,61 GWh. Na Madeira e Porto Santo, numa geração total de 1 Gwh, a componente a fuel e gasóleo é semelhante - 0,735 GWh. Pelo que a parcela total de geração a derivados do petróleo nas ilhas é de 1,35 GWh, o que perfaz 2.7% da produção eléctrica nacional (na Grécia é 8%). Claro que essas componentes térmicas não são fáceis de substituir nas ilhas, pelo que isto não é nenhum reparo mas apenas uma nota.
A segunda parcela de geração a derivados do petróleo é a cogeração (Produção em Regime Especial) a fuelóleo, que constitui 29% da totalidade da potência instalada em cogeração, que na sua totalidade gera 13.5% da electricidade nacional. A cogeração a fuelóleo deve, assumindo-a proporcional (sobre o que me faltam dados precisos), gerar portanto 3 a 4% da electricidade nacional.
Admitindo o limite inferior, dado que com a subida de preços do fuel essa cogeração não deve ser muito rentável (mesmo usando do fuel mais ordinário e poluente), temos que o petróleo efectivamente gera mais electricidade do que o suposto pelo próprio Governo: 2.7% nas ilhas + uns 3.3% na cogeração = 6%. Mas como esta última também tem tarifas garantidas semelhantes às das eólicas, não se vê como a aposta nas eólicas substitui a cogeração a fuel...
Quanto às ilhas, e nas que têm dimensão para isso, aí sim, vale a pena aproveitar toda a energia renovável tecnicamente possível, porque o fuel e o gasóleo são lá muito caros - sobretudo por se terem de transportar para lá! Nos Açores, em particular, vale a pena aproveitar ao máximo a geotermia, e de facto em 2006 entrou em funcionamento em S. Miguel uma segunda central geotérmica.
E valerá também a pena ter automóveis eléctricos, quando as baterias forem mais baratas, não só para poupar os caros de transportar gasóleo e gasolina, mas também porque as distâncias nestas ilhas são curtas e cheias de subidas e descidas (o que torna ainda mais interessante a travagem regenerativa). Enquanto não há carros eléctricos, estas distâncias curtas e acidentadas recomendam os híbridos, o que aliás se vê lá bastante, e veria muito mais se os combustíveis não tivessem lá uma bonificação fiscal que os torna muito mais baratos que no Continente e desincentiva a "eficiência energética"...

sexta-feira, abril 02, 2010

Obama legisla para que os carros americano gastem menos e o Nissan Leaf.

Acaba de ser publicada nos EUA uma lei que finalmente, após 30 anos de resistência dos 3 grandes de Detroit, obriga a melhorar o rendimento dos motores dos automóveis americanos: terão, dentro de 6 anos, de só gastar 8 litros aos 100kmo que ainda é mais que o consumo médio dos automóveis na Europa e Japão desde que o choque petrolífero de 1973 induziu o aperfeiçoamento dos motores, em vez dos 10 que ainda gastam presentemente na América. O progresso nos motores tem sido, de facto, extraordinário: o Honda Jazz da minha filha, com os seus 90 cavalos, gasta só 6 litros, enquanto há 30 anos o meu primeiro carro, um pequeno Fiat 126 de 2 cilindros e 23 cavalos concebido antes de 1973, gastava 7...
Como o parque automóvel americano é responsável, só por si, por 1/3 do CO2 emitido pelo parque mundial, esta medida tem um impacto significativo nessas emissões. Além disso reduzirá a procura de petróleo e contribuirá para combater a respectiva alta de preços. Preços que, aliás, há já um ano que estão estáveis quando cotados em USD, mas que quando o câmbio do € subia se mantiveram estacionários por cá, e agora que o € está a desvalorizar têm subido em flecha...
Esta legislação é uma daquelas em que todos ganham.
Entretanto, o Nissan Leaf eléctrico estará brevemente à venda nos EUA. Não vem nada barato, mas pelo menos nos EUA faz publicidade honesta: sobre a sua bateria e a alegada capacidade para 165 km de autonomia: avisa que esta se reduz com o uso do carro (veja o víídeo até ao fim e leia as letras pequeninas). Como as dos portáteis e telemóveis e como eu bem tenho avisado...
A Nissan corre um risco considerável com esta aposta. E não será por acaso que é a Nissan, um fabricante de qualidade mas má estratégia de fabrico que a levou à falência e a ter de se deixar comprar pela Renault quem aposta nesta fuga para a frente. Nem a Toyota nem os outros grandes fabricantes com boa saúde financeira vão nesta fantasia. Esses, apostam é nos híbridos e já há muitos anos! Híbridos que se preparam agora para evoluirem para os híbridos também carregáveis electricamente (Plug-In Hybrid Electric Vehicles = PHEV), que é o que toda a I&D internacional com os pés na terra está a considerar...

sexta-feira, setembro 25, 2009

Coisas que é bom saber

Como já notei por aqui, o carvão é a fonte de energia eléctrica mais barata, e por isso é também a mais utilizada no Mundo, gerando 40% de toda a electricidade que se produz no planeta. Em Portugal temos duas centrais a carvão, em Sines e em Abrantes (Pego), capazes de gerarem só elas 30% de toda a electricidade portuguesa, cada uma mais que todas as eólicas que temos.
Infelizmente, as centrais a carvão são também uma terrível fonte de Gases de Efeito de Estufa (GEE), estimando-se que produzam, só elas, 1/4 de todo o CO2 gerado pela actividade humana.
Por causa disto, e porque há muito carvão no planeta, há muito que se estudam técnicas de captura (ou sequestro) do CO2 das centrais a carvão. A ideia é extrair o CO2 dos fumos da central, liquefazê-lo e injectá-lo no sub-solo.
Não se trata de um problema para o qual exista alguma dificuldade tecnológica que não se saiba resolver, ao contrário do que acontece com as baterias dos carros eléctricos ou com os painéis fotovoltaicos. Existem soluções que se sabe (em laboratório) perfeitamente como funcionam, que podem vir ainda a ser muito aperfeiçoadas e, por isso, o único problema que subsiste à sua aplicação generalizada é vontade política. Vontade política de fazer os investimentos necessários à escala de centrais reais, porque a captura do CO2 vai encarecer significativamente essas centrais e reduzir-lhes o rendimento (parte da energia produzida vai ter que ser usada para a própria captura do CO2). Mesmo assim, todos os cálculos mostram que o carvão ainda continuará a ser mais barato que todas as fontes de energia renovável, apenas mais caro que o nuclear, relativamente ao qual é agora mais barato, e que as grandes eólicas em terra (on-shore) em locais de muito bom vento.
A EDP, e muito bem ainda que quase secretamente, considera vir a substituir a actual Central de Sines, que já leva 25 anos de vida e não durará muito mais anos, por uma dessas futuras Centrais a carvão com captura de CO2, embora com uma potência instalada menor que a actual - o que se justifica por, como disse, parte da energia do carvão se ter de gastar na própria captura do CO2 gerado.
Com a preparação dos novos acordos climáticos e a nova política da Administração Obama, os EUA - e a Ásia - preparam-se para lançar finalmente em força esta tecnologia incontornável, como se pode ver aqui. Em futuros posts hei-de voltar a este assunto, até porque esta tecnologia vai ser campo de batalha com os ecotópicos.

Outra coisa que é bom saber é que este ano de 2009 será o ano, desde a descoberta das gigantescas reservas do Casaquistão em 2000, em que mais reservas novas de petróleo foram descobertas. Claro que convém continuar a ser poupado e a não ter carros desnecessariamente gastadores mas, cada vez se vai confirmando mais que, parafraseando Mark Twain, as notícias do esgotamento para breve do petróleo poderão ser grandemente exageradas.
Leonardo Maugeri, um especialista da petrolífera italiana ENI e que é também professor do MIT, a cujo conselho consultivo em energia pertence, publica no número de Outubro da Scientific American (uma revista insuspeita de negacionismos climáticos) um artigo em que defende que o fim do petróleo não está, de facto, para breve, e por duas razões: a) por estarem em desenvolvimento tecnologias de extracção que permitem aumentar os actuais 30% que se conseguem extrair do sub-solo para 50%; b) por tudo indicar que ainda há muito petróleo por encontrar.
Eu já falei disto aqui, e Maugeri também considera que o "pânico" do fim breve do petróleo serve apenas para estimular a especulação financeira com o mesmo e que, a haver alguma falta de petróleo no mercado internacional, é por falta de refinarias, o que aliás o Presidente da GALP e antigo jovem catedrático da FEUP, o Prof. Doutor Eng.º Ferreira de Oliveira também afirmou numa entrevista dada à Televisão em 2008 e de que me lembro muito bem.

quarta-feira, setembro 02, 2009

Alta do petroleo, Regulação e energia eólica - com comentário

Dia 5, na SIC-Notícias, o Dr. Eng.º Costa e Silva, meu colega no IST e Presidente da PARTEX, a petrolífera que sustenta a Gulbenkian, deu explicações muito interessantes sobre as razões da actual alta de preços do petróleo e das suas perspectivas futuras.
Entre outras causas para esta alta de preços está, como factor determinante, a especulação financeira no mercado mundial de futuros.
A situação é de tal modo alarmante que o Regulador norte-americano do mercado de futuros defendeu recentemente a aplicação de limites mais apertados aos valores de investimento permitidos aos investidores não comerciais no mercado do petróleo e do gás. Referia-se essencialmente à Banca e a certos fundos de investimento.
Será certamente difícil limitar esta especulação, dado o caracter internacional do capital financeiro, mas o certo é que, como disse Costa e Silva, 1/3 da frota petroleira mundial está presentemente parada no mar, com os porões cheios de petróleo, à espera que o preço deste suba para o descarregar.
A própria indisponibilidade destes petroleiros contribui para a alta dos preços do petróleo, ao dificultar o seu transporte (Costa e Silva mencionou, nomeadamente, o estrangulamento do transporte de gasóleo da América para a Europa e da gasolina no sentido inverso - os americanos não usam Diesel e os europeus usam-no cada vez mais).
A base desta especulação é a expectativa de que os preços do petróleo venham a subir. Esperar que eles subam leva a guardá-lo para vender mais tarde, e esse mesmo açambarcamento reforça a rarefacção que lhe faz subir os preços.
No fundo, trata-se do mesmo tipo de especulação que acontece nas Bolsas nas épocas de euforia, e que aconteceu no mercado imobiliário até recentemente. Já tem acontecido também no mercado das obras de arte e até no dos selos de colecção. Baseia-se sempre na expectativa de uma subida futura dos preços e alimenta-se a si própria disso, geralmente até que alguma coisa quebre o ciclo e a bolha rebente.
No caso das Bolsas, dos imóveis e dos selos, porém, esta especulação tem um fundamento muito subjectivo e, portanto, o rebentamento das bolhas é sempre garantido e uma questão de tempo. Os últimos ficarão arruinados mas a tentação de jogar neste Casino enquanto os preços sobem é grande.
E no petróleo?
À primeira vista ele é um bem físico limitado e cuja produção será incapaz de acompanhar o previsto crescimento mundial da procura. Portanto, aparentemente a sua rarefacção futura parece garantida e a consequente subida de preços também. E, neste contexto, o mercado de futuros e a respectiva especulação poderá até parecer razoável e prestando um serviço necessário, ao assumir ele o risco dos preços futuros.

Mas será mesmo assim? Pode ser que sim.
E pode ser que não.
Em primeiro lugar há a questão de saber ao certo que reservas existem. E, para além das reservas existentes, há a questão da possível evolução da tecnologia de extracção que, presentemente, apenas é capaz de extrair cerca de 30% do petróleo existente.
Mas, em segundo lugar e quiçá com muito maior impacto, há o efeito que terá uma redução da procura, motivada pelo aumento da eficiência no seu consumo! Não é precisa uma eliminação da procura; basta uma redução consistente, para que os pressupostos quanto ao futuro em que se baseia a especulação possam ficar subvertidos e a bolha rebente, como as outras!
Ora, como disse Costa e Silva e eu já referi aqui, nos EUA os automóveis primam pela ineficiência. O carro médio americano gasta 10 litros aos 100 km, contra uma média de 7 na Europa e Japão. E, como os americanos vivem em geral longe dos empregos, o consumo de gasolina dos EUA é, só ele, cerca de 35% do total mundial, o dobro do de toda a Europa e mais do quádruplo per capita. Costa e Silva disse que bastava que o rendimento dos automóveis americanos aumentasse 15%, com a adopção generalizada dos híbridos e dos Diesel, para que o panorama da procura se alterasse radicalmente a relativamente curto prazo. Convém notar que adoptar híbridos e Diesel não requer apostas em tecnologias inexistentes, ao contrário dos automóveis eléctricos...
Mas, além da estratégia americana para os automóveis, há também nos EUA propostas sólidas para a adopção do TGV eléctrico em certos circuitos com distâncias apropriadas (a distância tecnicamente apropriada para o TGV é a de Lisboa-Madrid; abaixo disso o automóvel é mais prático, e acima é preferível o avião), como é o caso dos trajectos San Francisco-Los Angeles, Dallas-Santo Antonio-Houston e Boston-New York-Washington. E a melhoria de eficiência dos aviões comerciais, responsáveis por uma parcela importante e crescente do consumo mundial de combustíveis, também já se faz sentir.
Tudo isto significa que, a um horizonte de 10 anos, digamos, não é certo que se mantenha a actual tendência de subida do preço do petróleo.
Existe, claro, o problema do aquecimento climático e das emissões de CO2.
Porém, convém ver que, até agora, essa preocupação e as medidas limitadoras associadas resultantes do protocolo de Kyoto deixam de fora os dois maiores poluidores industriais, os EUA e a China, para já não referir que os problemas da desflorestação e do mau uso dos terrenos agrícolas, responsáveis por de 1/3 a metade das emissões e na sua maioria da responsabilidade de países não-industrializados, nem sequer começou a ser encarado pró-activamente.
Ora no fim deste ano ocorrerá a cimeira de Copenhague, e pela primeira vez existe um empenho activo dos EUA nessas negociações e, com maiores reservas geo-políticas, da China. Se houver um acordo que englobe esses dois gigantes, o panorama mundial relativo às emissões de gases de efeito de estufa poderá modificar-se radicalmente, reforçando o empenho mundial na redução da dependência do petróleo (de que a China tem pouco, no seu sub-solo).
Tudo isto para dizer que não se justifica uma pressa excessiva no abandono do petróleo e dos combustíveis fósseis, e que há tempo para delinear estratégias sustentáveis a 10 ou 20 anos, esperando para ver o que vão decidir os EUA e a China.

Entretanto, Costa e Silva reconheceu o que toda a gente sabe: que as petrolíferas nacionais acompanham a subida internacional dos preços do petróleo ao momento, mas para a descida esperam umas semanas...
E disse outra coisa que também toda a gente sabe: que a Entidade Reguladora de Manuel Sebastião é mais uma Reguladora da "falta de concorrência" do que da Concorrência, em matéria de combustíveis.
Ora, é bem sabido que o actual Governo deu cabo das Entidades Reguladoras, enquanto entidades independentes para a defesa dos consumidores. Transformou-as em Direcções-Gerais do Estado. E, curiosamente, se o Governo fecha os olhos à especulação existente sobre o preço dos combustíveis, já relativamente ao preço da electricidade e ao défice que o antigo Regulador Vasconcelos queria repercutir nos preços desta, foi intransigente.
Temos que é muito claro que o Governo tem uma estratégia de encorajamento de subida do preço dos combustíveis, e de congelamento do preço da electricidade. E também é claro que isto alimenta uma retórica de aposta nas "renováveis" que, espremida de tudo o que são meras palavras ou fantasias, se traduz apenas numa única aposta: a da energia eólica.
Energia eólica cuja potência de ponta ultrapassará em breve o consumo nacional a certas horas de vazio, como já expliquei aqui, e por causa da qual parte das 8 novas hidroeléctricas a construir vai ter capacidade de bombagem, um custo extra que se deve atribuir ainda às eólicas, porque é a intermitência e irregularidade destas que requer essa capacidade às hídricas.
A quantidade de turbinas eólicas instaladas e em instalação levar-nos-á aos píncaros no uso da mesma, o que é extraordinário tendo em conta que não incorporam qualquer know-how nacional, quase nenhuma construção nacional, e muito poucos empregos no país!
E, como entretanto o Governo se deu conta de que não pode invocar a aposta nas eólicas como medida contra a dependência do petróleo importado, inventou a aposta na fantasia do carro eléctrico para ligar uma coisa à outra!

Dizia o Expresso da semana passada que a subsidiação das eólicas custava ao país perto de 500 milhões de € por ano. 50 € anuais por residente. E está-se a subsidiar o quê? Essencialmente as indústrias de turbinas alemã e espanhola!

E, claro, alguns negociantes nacionais de concessões e de "pontos de injecção" de energia!
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Um distinto engenheiro conhecedor do assunto enviou o seguinte comentário:

A factura agora divulgada (447 M€) corresponde às contas da ERSE feitas em 2008 para as tarifas de 2009 e são relativas a toda a produção em regime especial e não apenas às eólicas. Só que estas contas têm um problema: já estão muito desactualizadas! A ERSE estimou para 2009 o custo do MWh de referência (no mercado diário e intradiário OMIE) em 70 €/MWh, mas na verdade o seu preço médio real até 31 de Julho foi de 39 €/MWh, e não dá indicações de subida (pode ver os preços no mercado a prazo OMIP).
Daqui resulta que, o que podia ser uma boa notícia para os particulares e para as empresas, na realidade não o é, bem pelo contrário. Os 447 M€ passam para o dobro, como passo a explicar: a diferença do preço médio das renováveis (101 €/MWh) face ao mercado não é de 31 €/MWh (101-70 = 31), mas sim de 62 €/MWh (101-39 = 62). A ERSE vai ter que corrigir estas contas, e não é difícil de calcular uma boa aproximação ao custo final das renováveis: só no ano de 2009, serão 14.540 MWh (produção estimada dos PRE, o real pode até ser superior) x 62 €/MWh, e o verdadeiro número será muito aproximadamente 900 M€, e não os 447 M€ anunciados na imprensa.
Mas se juntarmos a este valor o investimento obrigatório da REN e da EDP para a ligação das renováveis, o valor é ainda superior, muito perto dos 1.000 M€.
E isto a pagar num único ano, veja agora quando tivermos que pagar o resultado do visionarismo em voga!