Não vai haver, portanto, nem substituição do petróleo por energias renováveis (o que só aconteceria se os automóveis deixassem de andar a derivados do petróleo e passassem a gastar da energia produzida pelas eólicas), nem vai haver "storage" nenhum, por baterias de automóveis, que resolva o problema da intermitência eólica!
Isto não quer dizer que não haja desenvolvimentos tecnológicos capazes de gerarem reduções drásticas e economicamente viáveis do consumo de derivados de petróleo. Há! Os automóveis híbridos que, como também já expliquei há muito, são apenas um meio de recuperar a energia dissipada nas travagens pelos automóveis convencionais, e assim aumentar o rendimento global dos seus motores. Até porque a "travagem regenerativa" é coisa que já se faz há muito no transporte ferroviário, e o seu acoplamento a motores de combustão não requer nenhuma revolução tecnológica, embora contenha imensos desafios e oportunidades de aperfeiçoamento.
Infelizmente, e como também já aqui notei, enquanto andamos a gastar esterilmente o tempo e o dinheiro com as fantasias dos carros eléctricos, nas Universidades checas, por exemplo, investiga-se a tecnologia híbrida para os automóveis, em colaboração com a Skoda e, portanto, com o grupo Volkswagen. Enquanto aqui ao lado, na Auto-Europa, o contributo português para os componentes dos carros lá fabricados tem vindo regular mas inexoravelmente a cair, desde que a fábrica foi criada no tempo do Ministro Mira Amaral. Não é, por isso, apenas por razões de custos que essa fábrica ameaça mudar-se!
A tecnologia híbrida melhora muito o rendimento dos automóveis por, como disse, recuperar a energia cinética dissipada em calor nos travões tradicionais, ao travar com um gerador que passa essa energia cinética para uma bateria, de onde é depois de novo usada. Mas esse efeito só é realmente útil se o uso corrente do automóvel tiver muitos "pára-arranca", ou seja, se for essencialmente urbano. Em estrada e sobretudo em auto-estrada as travagen são poucas, e por isso aí o híbrido é inútil.
O que é útil nas estradas, como forma de economizar combustível, é um tipo de motor que, por detonar a mistura combustível com uma taxa de compressão muito maior, tem um rendimento termodinâmico muito superior: o motor Diesel. E é porque toda a gente sabe que os carros a Diesel gastam menos que, na Europa, eles já constituem cerca de 80% das vendas, apesar do referido motor ser mais caro que o a gasolina (tem de ser mais robusto e pesado, dadas as maiores compressões e temperaturas de funcionamento).
E porque não combinar o Diesel com um sistema de travagem regenerativa, ou seja, porque não o Diesel híbrido? Tal solução aproveitaria o maior rendimento do Diesel em estrada com a eficiência da solução híbrida em circuitos urbanos...
... e precisamente, aí vêm os Diesel híbridos, conforme anuncia o próprio MIT aqui!
O principal problema novo que os Diesel trazem aos híbridos é o do sistema de arranque, e o novo Peugeot 3008 tem algumas soluções brilhantes para o problema. Mas há muita inovação nessa matéria, a pesquisar.
Se em vez de a nossa I&D tecnológica ser politicamente dirigida por uns reinventores da fusão fria, fosse pragmaticamente orientada para a realidade técnico-económica, isto é, se fosse dirigida por engenheiros e não por cientistas da física das estrelas, sociólogos e alguns lunáticos, o que faríamos era, com muita humildade, ir falar com a Auto-Europa e perguntar como se poderiam colocar os nossos recursos de I&D ao serviço da manutenção e reforço dessa empresa crucial para Portugal!
Se ainda fossemos a tempo de fazer alguma coisa que os checos não estejam já a fazer...
A complementar o Diesel híbrido, e como também já mencionei aqui, a bicicleta eléctrica é a única solução de transporte que, devido à sua pequena massa e velocidade, percursos de deslocação curtos e facilidade de carregamento, pode ser compatível com a baixa capacidade das baterias existentes. E se se pensar numa bicicleta dessas que seja facimente transportável no porta-bagagem do Diesel híbrido parqueado à entrada da cidade, que seja depois usável nos poucos km até ao trabalho? Pois ela aí está, precisamente lançada pela Volkswagen...!Mas não foi decerto e infelizmente na Auto-Europa que a multinacional VW obteve isto!...








