Além de que gosto do que faço, mas isso é outra conversa.
Hoje venho só trazer uma boa nova a todos, tentando esconjurar um pouco a depressão nacional que nos aflige.
Até para os fundamentalistas das renováveis a nova é boa, porque com a crise do crédito e a má-vontade generalizada em sustentar a sua subsídio-dependência, os ventos estão-lhes desencorajadores e vão ter que acabar por arranjar outro ofício, como muita gente. Embora seja óbvio que eles se vão opor à nova, mas já lá voltarei...
Lembram-se de como em tempos vos notei como a produção de electricidade a partir do gás natural tem um baixo custo de investimento e tempos curtos de construção de centrais (bom em épocas de dificuldade de crédito), e o seu preço depende essencialmente do do próprio gás? E de que para o mesmo kWh, as centrais a gás de ciclo combinado geram metade dos Gases de Efeito de Estufa das a carvão? E que, sendo capazes de uma resposta ágil às variações da potência na rede, são um complemento indispensável para colmatar a intermitência da produção de origem eólica e solar?
O problema maior do gás natural é que na Europa está quase esgotado, vindo o que cá se consome da Rússia, da Argélia e, no nosso caso, da África sub-sahariana por barco (liquefeito). Outro problema é que apesar de haver mais dele do que petróleo, também não é de uma abundância extraordinária, a prazo.
Ora no ano passado, 2009, dei aqui conta de uma invenção americana revolucionária que permite extrair rentavelmente o gás natural existente sob solos com xistos argilosos. Essa invenção foi considerada pelo MIT a maior nas tecnologias de Energia em 2009, e com ela as reservas em gás natural dos EUA passaram bruscamente para 90 anos, talvez mesmo 160 anos, segundo o MIT!
O certo é que esta tecnologia, com a "baixa inércia" típica dos americanos, redundou já numa corrida ao gás xistoso e, com isso, o seu preço caiu drasticamente nos EUA! De tal forma que, apesar do Congresso ter ratificado para 2010 e 2011 as ajudas à energia eólica, os investimentos nesta caíram 72% em 2010 e prevê-se uma queda adicional sobre o remanescente de 50% em 2011! E é por isso que os investimentos da EDP-Renováveis nos EUA procuaram agora um comprador chinês que os salve...
Bem, mas só há gás xistoso nos EUA? Não, há em todo o mundo, e por isso também o MIT considera sem dúvida que o gás natural reúne todas as condições para substituir o poluente carvão e ser a via de uma transição paulatina para um futuro descarbonizado.
E na Europa?
Pois, na Europa também há. Sobretudo na Polónia e Alemanha, mas enquanto na Alemanha os lobbies eólico-solar esforçam-se por assobiar para o ar e levantar objecções ambientalistas, a Polónia já se vê como a nova Noruega, dado que as estimativas mais recentes das suas reservas apontam para 200 anos! E daí também que os capitais activos nestas coisas tenham acabado de dar um passo para controlar esses recursos, nomeadamente a ENI italiana que tem uma relação tradicional com a nossa GALP.
Há, com efeito, uma corrida silenciosa neste momento ao controlo dos recursos europeus em gás xistoso. O silêncio advém por um lado de como o gás xistoso mata com um tiro fatal todo o movimento ecótópico e os seus interesses subsídio-dependentes, assim como os media cujo pensamento eles controlam, e advém também dos negócios fantásticos que se congeminam nos corredores.
E é aqui que entra a boa nova que vos trago: o mapa anexo. Portugal também tem uma grande reserva de gás xistoso, que começa por alturas de Fátima (Nossa Senhora de lá deu-nos esta prenda!) e se estende pela zona marítima exclusiva!
Razão tinha, portanto, quando há pouco mais de um ano eu dizia que a "aposta estratégica no mar" de Portugal, depois de termos deixado de ter frotas mercante e pesqueira e Ultramar sob bandeira nacional, só fazia sentido se houvesse lá petróleo. Só tinha um pequeno erro, este vaticínio: não é petróleo que temos, é GÁS XISTOSO!
A ver se não o deixamos cair em mãos alheias!...









