sábado, junho 25, 2016

6 anos depois, as baterias dos automóveis eléctricos continuam a ser uma promessa

Foi há 5 anos e meio que escrevi aqui por que não haveria automóveis eléctricos tão cedo, mas sim híbridos.
Como então expliquei, não havia baterias que pudessem sustentar a emergência de tais automóveis em larga escala.
Os automóveis entretanto começaram a chegar. Mas os problemas com as baterias permanecem.
Do IEEE, uma organização de qualidade científica insuspeita, leia-se isto.

9 comentários:

Pedro Mendes disse...

Caro Professor,

É com agrado que vejo um novo post neste blog que seguia tão atentamente há 4 anos atrás.

Devo dizer que este tópico me suscita especial interesse, uma vez que sou detentor de uma reserva para um Tesla Model 3. E abri um link que publica à espera de mais. Do que entendi do artigo, penso que se resume a "os carros electricos vêm ai, mas ainda não se sabe bem como vão ser o ciclo de vida das baterias, as infraestruturas necessárias nem quais as diferenças na utilização destes carros. O melhor é usar hibridos". A mensagem do artigo parece-me uma platitude. Penso que é sensato supôr que uma eventual transição de carros com motores de combustão interna para carros 100% electricos se fará passando primeiro pela massificação dos hibridos. Parece-me que é isto que já está a acontecer, pois já se vêm cada vez mais hibridos em circulação com uma boa mistura de conceitos e tecnologias diferentes. Até os Formula 1 actuais são carros hibridos!

Alguns dos pontos do seu artigo original merecem ser revistos. Algumas dificuldades no uso de baterias de iões de litio que pareciam ser dificeis de ultrapassar, mas passados 5 anos e meio o panorama é diferente. Por exemplo: "The Tesla alternative, packaging thousands of inexpensive commodity cells, requires far more sensors and control software than would be practical for mass-market vehicles." Esta frase parece-me que já não faz sentido.

Há 5 anos e meio concordava consigo. Hoje parece-me que estamos melhor do que pensavamos vir a estar nesta altura, e melhor do que este artigo do IEEE.

Termino este comentário para dizer que espero que retome a escrita neste blog, que continuarei a seguir com o mesmo interesse de antigamente.

PM

Pinto de Sá disse...

Gostaria que tivesse razão, caro comentador.
Mas, precisamente, aparte a vitória da campanha mediática não penso que nada de essencial se tenha alterado na tecnologia química das baterias.
A ciência não evolui ao ritmo das vontades políticas, e em particular a química não evolui à velocidade da electrónica e gagets derivados...

Pedro Mendes disse...

Mesmo sem grandes avanços na tecnologia quimica das baterias, os avanços em electronica e software têm vindo a tornar mais pratica a utilização de carros electricos. O meu comentário anterior refere uma instância do artigo original onde a realidade já é diferente de há 6 anos atrás.

Hoje em dia já existem carros electricos bastante bons como o Tesla Model S por cerca de 100k€. Sem uma revolução na quimica e recorrendo a software, electronica e economias de escala vislumbram-se carros de 30k€.
Mas concordo consigo que carros electricos bons, por menos de 20k€ não vão ser possíveis sem algo de novo na tecnologia base.


PM

Pinto de Sá disse...

As suas afirmações não são substanciadas em dados sérios. Nenhuma electrónica pode resolver o problema do armazenamento de energia.
Qquanto ao Tesla, tenha cuidado. É uma empresa que vive dos financiamentos obtidos pela sua elevada cotação na bolsa, e corre o sério risco de avançar com o dinheiro da encomenda e a empresa falir antes de ter o seu carro...
http://www.jornaldenegocios.pt/empresas/automovel/detalhe/tesla_volta_a_falhar_meta_trimestral_de_entregas_de_veiculos.html

Anónimo disse...

É mesmo como diz. O grupo de empresas do Elon Musk que inclui a Tesla vive muito dos financiamentos constantes. Mas já não é a primeira vez que ele consegue fazer algo que muitos diziam que ele não conseguia (desde vender o Roadster, até conseguir produzir o Model S em linha de montagem). O Model X é que tem sido uma bronca.

Agora a conversa da aquisição da Solar City é que cheira mesmo mal. Entre isso e os investimentos loucos que ele precisa para o Model 3 e a fábrica de baterias parece que ele está mesmo a querer rebentar com a empresa.

Pinto de Sá disse...

2500 roadsters vendidos pela Tesla em todo o mundo, não me parece ser grande coisa. Para um carro com uma autonomia de apenas 390 km, e um preço de 64 mil € ANTES DE IMPOSTOS, não admira.

Anónimo disse...

O Model S tem sido produzido a uma escala muito maior que o Roaster.
129000 unidades produzidas até Junho de 2016.

Quando sair o Model 3 eles esperam vender milhões de carros.

Pinto de Sá disse...

http://www.ibtimes.com/tesla-motors-tsla-1q-2016-sales-14820-model-s-model-x-cars-were-delivered-first-three-2348000

Pedro Mendes disse...

O projecto do roadster era tanto um produto como uma prova de conceita. Há anos que não é produzido nem vendido. Não me parece relevante par ao tópico em questão.

Já o Model S, que vem mais do que qualquer carro no seu segmento, parece-me claramente um ponto a favor da tese de que o armazenamento que se consegue com a tecnologia actual já vai sendo suficiente, e mais do que isso.

Na minha opinião, o que a Tesla demonstrou com o Model S é que o carro não precisa ter tanta automia como a concorrência de combustão interna. Pode até ter menos de metade da autonomia, desde que a infrasestrutura de carregamento seja adequada. A infrasestrutura que têm vindo a construir dispõe de cada vez de mais postos de carregamento, gratuitos e bastante rápidos. Estes postos podem atingir potências de ~150kW capazes de carregar 270km de autonomia em 30min.