Quarta-feira, Janeiro 13, 2010

Demonstração gráfica do absurdo eólico - Actualizado

Há dias, fiz aqui a demonstração gráfica do absurdo eólico, mostrando como temos "exportado" (por não termos onde a meter, dado as barragens estarem cheias de água da chuva) energia eólica em quantidades de muitos GWh diários, a preço... ZERO!
Isto, claro, enquanto ao mesmo tempo pagamos essa energia aos produtores eólicos a 9 ç/kWh, e não foram previstos nem regulamentos nem meios técnicos que permitam desligar essas "ventoinhas".
Pois não é que o nosso 1º Ministro, 2 dias depois, manifestou uma exfusiante alegria com esta situação?
Tirem-me daqui!!!
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Tenho vindo a referir, recentemente, o absurdo que constitui este excesso de produção eólica que já temos hoje em dia, e como o investimento em "reforços de potência" (de bombagem) hidroeléctrica poderá não resolver nada, quando faz vento, chove muito, e a temperatura é amena.  Os gráficos seguintes de exploração da nossa rede do passado dia 3 demonstra-o.

O primeiro diagrama mostra como o consumo (linha a preto grosso) é inferior à soma da produção hidroeléctrica (azul) e da produção independente e não desligável (a verde), pela madrugada.
Pode-se também ver que não foi possível fazer bombagem de água porque as albufeiras já estavam cheias e tinham que despejar a água da chuva.
O segundo diagrama mostra como se decompõe a produção independente, sendo evidente a extrema irregularidade da eólica; ela atinge 2500 MW entre as 8 e as 12 horas, para às 18 horas já ter caído para cerca de apenas 1000 MW.
Ao mesmo tempo, vê-se no diagrama de produção hidroeléctrica que, apesar daquele excesso de vento, não foi possível reduzir o trabalho das hídricas, sinal de que as respectivas albufeiras já estavam cheias e, portanto, incapazes de reter ou armazenar mais água.

O quarto diagrama mostra que de madrugada se reduziu a produção térmica ao mínimo, com um só dos 4 grupos de Sines a trabalhar e nenhuma central de ciclo combinado, mas mesmo assim se teve de exportar o excesso de produção eólica, por não haver onde a meter.
Pelas 4 da madrugada, a hora de menor consumo, chegaram a exportar-se mais de 1500 MW, eda meia-noite ao meio dia sempre à volta de 1000 MW, todos de origem eólica.

Finalmente, o último diagrama mostra o preço conseguido nesta exportação entre as 3 e as 11 da manhã: ZERO! E o máximo preço, 8 ç/kWh, foi atingido pelas 22 horas, quando por azar o vento decaiu e tivemos de importar!...


Isto resulta, evidentemente, de já termos potência eólica instalada em excesso e de nada ter sido previsto técnica e regulamentarmente para a poder reduzir, sendo o país obrigado a pagá-la ao produtor à volta de 9 ç/kwh para a ter de deitar literalmente fora!
E, como se pode ver pelo diagrama de produção hidroeléctrica, não é o "reforço de potência" que vai resolver as coisas: para as resolver precisávamos de albufeiras muito maiores, o que é obviamente inviável!
E só vamos ainda em cerca de 3800 MW de potência eólica instalada! Imagine-se o que será quando tivermos os 5600 MW previstos pelo Governo para 2012...! E mais o solar, e mais o eólico off-shore...!
Não é por serem pouco arrojados e nós sermos a "vanguarda" que nenhum país tem mais que 20% de produção eólica, e esse país é a Dinamarca, que praticamente não tem conflitos com a energia hídrica. É porque os outros países fazem estudos de planeamento, antes de avançarem com ideias destas. E nós, é como se vê.

7 comentários:

Anónimo disse...

"extrema irregularidade da eólica; ela atinge 2500 MW entre as 8 e as 12 horas, para às 18 horas já ter caído para cerca de apenas 1000 MW."

Será que não se deve ao facto de as empresas detentoras dos parques eolicos receberem mais pela energia produzida em horas de cheio do que em horas de vazio?
Será que é por isso que muitos dos geradores estão desligados em horas de vazio para evitar desgaste?

Um assunto a investigar...

Pinto de Sá disse...

Não, caro Anónimo, os produtores eólicos recebem sempre o mesmo. São pagos pela quantidade de ENERGIA que produzem, e não pela sua oportunidade.
Abaixo de uma certa velocidade do vento as eólicas não são capazes de funcionar (não há energia nesse vento), e por isso param. Aliás, agora tem havido muito vento e produção eólica, mas em média uma turbina em Portugal só produz 1/4 da sua capacidade. Quer isso dizer, na prática, que há aí 1/4 do ano em que produzem ao máximo, e 3/4 em que não produzem praticamente nada.

Pinto de Sá disse...

Tínhamos um apagão até passar o vento.

Anónimo disse...

A minha duvida é a que preço vão as hídricas pagar a energia para a bombagem? Ao preço de mercado? E têm a opção de não comprar?

Pinto de Sá disse...

Sobre o preço a que vão as hídricas pagar a energia da bombagem, confesso que não sei como vai isso ser gerido em termos de mercado.
Mas uma coisa sei: para as hídricas ganharem alguma coisa, a REN tem que a comprar aos produtores e vendê-la de borla às hídricas. Para a REN não ter prejuízo, terão que ser as hídricas a tê-lo.
Mas há uma coisa que é certa: quem vai pagar as hídricas são os consumidores, tarde ou cedo!

Anónimo disse...

É muito interessante saber que aqui pagamos a mais de 9 c/kWh aos promotores, e andam as nossas empresas com todas as restrições à importação, a ganhar contratos de fornecimento no Brasil a 5,8 c/kWh como foi o caso da Martifer, no primeiro leilão de energia eólica.

Hoje em dia temos muito a aprender com o Brasil.

Pinto de Sá disse...

Anónimo: A acusação de manipulação dos leitores é insultuosa e justificaria que rejeitasse o comentário, mas como a substância das suas afirmações me dá oportunidade de adicionar informação, publico-a.
A correlação entre o vento e a chuva é de 98%. É um simples facto científico que ao negar, demonstra ignorância e "tentativa de manipulação de leitores". De resto, a experiência destas semanas é a prova empírica evidente do que afirmo.
Como diz, porém, é verdade que só chove assim algumas semanas por ano.
O problema que escamoteia é que também só faz vento assim algumas semanas por ano, e essas semanas coincidem com as da chuva!
É um facto mais que sabido que as eólicas só produzem à sua capacidade máxima (acima de 90%) cerca de 5% do tempo do ano. Mas, como para ilustrar convenientemente isto precisava de mostrar uns graficos, vou fazer um post especial só para isto.