sábado, julho 04, 2009

"Smart grids" - uma bolha financeira em formação?



quem tenha sérios receios de que todo este enorme capital disponibilizado primeiro pela União Europeia, e agora pela Administração Obama, para a realização das "redes de energia inteligentes", venha a traduzir-se numa enorme bolha especulativa que um dia rebentará em nada.
Na verdade, de concreto, todo este "movimento" assenta apenas em dois pressupostos muito longe de estarem confirmados:

- Um, é que vêm aí formas de microgeração de electricidade rentáveis, como o solar fotovoltaico, de tal forma que os consumidores poderão vir a ter horas em que lhes interesse vender "excessos" de produção; trata-se de pura fé, esta expectativa na microgeração. A menos que seja fortemente subsidiada pelo Estado, mas duvido que a China vá nisso - e se ela não for, muito menos o irão os EUA e a Índia...
- O outro é que com contadores inteligentes e ligados aos aparelhos eléctricos, os consumidores aceitarão desligar este ou aquele consumo em função da tarifa.

Ora esta ideia de que os consumidores poderão ajustar os consumos ao preço instantâneo da energia já é velha: há 30 anos chamavam-lhe "gestão de cargas", foi experimentada usando sinais codificados nas emissões de rádio comerciais (como as usadas nos rádios dos carros para dar informações de tráfego), e nunca deu em nada. Pois se uma das grandes belezas da electricidade é poder-se usá-la quando se quer, quem é que estará disposto a desligar o ar condicionado ou a luz só porque a energia está mais cara neste preciso momento, e ainda ter de pagar para ter todo o equipamento electrónico para isso?

4 comentários:

Anónimo disse...

Pois é o que parece! o subprime eléctrico em gestação... e candidatos a Bernard Madoff pululam transvertidos em políticos, ecologistas, universitários, etc..

Anónimo disse...

Parece-me estranho o nível elevado de financiamento para este tipo de projectos quando nem se percebe bem o que significam nem o que pretendem.

Deve ser mais uma ode à religião da "imagem" muito presente nos dias de hoje. Até nem se pode fazer nada mas desde que se pareça estar a fazer somos os maiores.

O grande problema é que muitos recursos financeiros (agora tão preciosos) estão a ser desviados para estes projectos de "imagem" que fazem muitas manchetes de jornais mas cuja aplicação prática ainda não foi provada nem se percebe bem a relação custo/beneficio. Sobretudo o beneficio de instalar equipamentos em consumidores que nunca virão a ser produtores (nem toda a gente tem uns milhares de euros para instalar painéis solares mesmo que estes venham a atingir a paridade de preços com o carvão ou nuclear - o que ainda está longe).

Quando a maioria do dinheiro disponível não é aplicado na criação de riqueza mas antes na promoção da imagem (de empresas e indivíduos) é difícil de sair de crises ou estagnações económicas.

Ângelo disse...

Qual será então a solução? Deixar tudo como está?
Deixar que a China, Índia e outras potências emergentes, futuras campeãs do consumo energético, ditem as regras que será a continuição do "lucro já hoje, quem vier amanhã que se desenrrasque"?
Ângelo Oliveira

Anónimo disse...

Isto na União Europeia não admira, dada a distância que separa os decisores de Bruxelas de tudo o que seja a realidade. Nos EUA é que sim, mas talvez eles andem com complexos de inferioridade pelo avanço tomado na Europa com Kioto.
De qualquer modo, quando o dinheiro público americano chegar às empresas, o espírito prático e realista que lhes é típico há-de impor-se, até porque lá os contribuintes têm o hábito de querer saber da qualidade da gestão que lhes gasta os impostos pagos.